“Que raios?!”: Coimbra ganha uma janela para a formação de "raios cósmicos e partículas radioativas"

Por estes dias, se entrar no exploratório do Centro de Cência Viva da Universidade de Coimbra, será surpreendido por uma instalação do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas que mostra a formação de raios cósmicos e também as poeiras radioativas que resultam da interação de partículas subatómicas. 
 
Manuel Portugal
Manuel Portugal Jornalista
João Miguel Silva
João Miguel Silva Repórter de imagem
22 mai. 2026, 08:00

Além dos espaços habitualmente dedicados às exposições, o Exploratório de Coimbra aposta em instalações cientificas com propostas didáticas que são estrategicamente colocadas no caminho de quem o visita.

A mais recente foi agora inaugurada e resulta da colaboração do Centro de Ciência Viva da Universidade de Coimbra com o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Coimbra (LIP), equipa de investigadores que colabora com o CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), que é o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado na fronteira entre a França e a Suíça. 

No trabalho desenvolvido para investigar a estrutura fundamental do Universo e as leis que o regem, a equipa de Coimbra do LIP construiu um módulo - uma caixa negra - com câmaras especiais onde é possível visualizar o rasto de partículas subatómicas.

Numa das câmaras é possível ver como acontece a formação de raios cósmicos, matéria habitualmente acelerada por eventos extremos, como supernovas e buracos negros, e que viaja no espaço à velocidade da luz. Alberto Blanco, investigador no LIP, explica que "a primeira câmara mostra os raios cósmicos com partículas que vêm do exterior e que atingem o nosso planeta. Ao entrarem na nossa atmosfera, essas partículas dão origem a subpartículas que aqui dão origem aos raios cósmicos que podemos ver". É um fenómeno que acontece todos os dias à nossa volta, "essas partículas estão permanentemente a atravessar o nosso corpo", explica o investigador, mas é algo que não podemos ver sem recurso a uma tecnologia científica avançada.

Numa segunda caixa podemos ver a emissão de radiação do urânio, que toma a forma de nevoeiro após a sua interação com uma pequena rocha radioativa. 

O fenómeno, explica Alberto Blanco, "é simples: temos um gás supersaturado lá dentro e o que acontece é que as partículas, quando são emitidas, transportam energia para esse gás supersaturado que condensa". O que podemos ver, adianta o físico, "é o percurso das partículas de decaimento radioativo, que só conseguimos percepcionar nesta câmara de nevoeiro".

Paulo Trincão, diretor do Exploratório de Coimbra, explica que o nome foi dado a brincar para ajudar os visitantes a fazer a mesma pergunta: “QUE RAIOS?!!”. "Queremos que as pessoas se questionem, que perguntem que raios são estes e que importância têm para o universo e para a nossa vida". O Centro de Ciência Viva da Universidade de Coimbra, adianta, abraçou esta "deia extraordinária de mostrar a toda a gente, através de um detector de partículas cósmicas, o fenómeno cientifico que levou à criação do universo". É algo que só o estudo da física de partículas permite mostrar, reforça o diretor do centro, lembrando que o seu trabalho é «trazer a ciência para a vida das pessoas e ajudá-las a compreender a importância que têm nos mais diversos campos, como o da medicina, por exemplo.

“Que raios?!” está patente no Exploratório - Centro de Ciência Viva, em Coimbra, e é uma mostra coordenada pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Coimbra - LIP - que foi formado há 40 anos, após a adesão de Portugal ao CERN (Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear).