Autocarros parados, escolas fechadas, hospitais a meio gás e mineiros em greve no distrito de Castelo Branco

Paralisação está a ter impacto em vários setores.
Ana Ribeiro Rodrigues
Ana Ribeiro Rodrigues Editora-executiva
03 jun. 2026, 10:50

Cerca de cem escolas fechadas ou a funcionar a meio gás, cidades sem autocarros, hospitais e centros de saúde com serviços muito condicionados e, nas Minas da Panasqueira, muitos trabalhadores que aderiram à paralisação. Estas são algumas implicações diretas da greve geral no distrito de Castelo Branco.

Por todo o distrito há várias escolas encerradas. Em Castelo Branco, segundo João Mota, coordenador da delegação do Sindicato da Função Pública, muitos estabelecimentos de ensino estão fechados.

No Fundão, o dirigente adiantou ao Conta Lá que no primeiro turno o Hospital do Fundão registou uma adesão de 100%, enquanto no Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco, a paralisação foi de 50% e no Hospital da Covilhã de 68%.

Na Covilhã, a rede de transportes públicos urbanos está totalmente parada. São também muitas as escolas encerradas e há casos de escolas básicas abertas, mas em que os pais foram informados durante a manhã que não há capacidade para assegurar refeições.

Nas Minas da Panasqueira, no primeiro turno, aquele de que já há números, Mário Matos, representante sindical do setor, informa que a adesão à greve geral na mina foi de 80% e nas lavarias de 50%.

“O número de pessoas não é suficiente para a lavra. As pessoas estão descontentes e preocupadas com os retrocessos ao pacote laboral e o Governo deve ouvir os trabalhadores”, disse, em declarações ao Conta Lá, Mário Matos, da Fiequimetal.

Em Belmonte a Escola Pedro Álvares Cabral estava aberta ao início da manhã, mas Dulce Pinheiro, do Sindicato dos Professores da Região Centro, adiantou ao Conta Lá ter a informação que, assim que as provas ModA que estão a decorrer terminarem, o estabelecimento vai também encerrar.

“Nota-se preocupação com o pacote laboral e essa preocupação está refletida no encerramento de muitas escolas”, salienta Dulce Pinheiro, ao Conta Lá.

Dulce Pinheiro adianta que, em todo o distrito, há cerca de uma centena de escolas fechadas” e outras a funcionar condicionadas, sem vários professores e funcionários.

“Por todo o distrito, embora não de forma idêntica, acentua-se o repúdio pelo que está inscrito no pacote laboral. Notam-se os efeitos da greve por todo o distrito, das escolas maiores às mais pequenas”, acrescenta a responsável do Sindicato dos Professores da Região Centro.  

Nas maiores fábricas de lanifícios, no concelho da Covilhã, no primeiro turno a paralisação situou-se entre os 50% e os 70%, como aconteceu na Tessimax, no caso dos trabalhadores do quadro, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário e Calçado da Beira Interior.

“As adesões, que variam entre os 50% e os 70%, revelam um setor unido, consciente e firme na defesa dos seus direitos. Cada percentagem representa que os trabalhadores, com o seu gesto, afirmaram que não aceitam retrocessos nem ataques à contratação coletiva, aos salários e à dignidade no trabalho”, vinca Marisa Tavares, presidente da direção do Sindicato Têxtil.

A dirigente sindical menciona os 2,80 euros de subsídio de alimentação pagos nos lanifícios, que no próximo mês passa a 3 euros, mas que no setor do vestuário “é de apenas 2,80", alerta para a perda de direitos em curso e apela aos trabalhadores que hoje não aderiram à greve geral “que olhem para as lutas do passado e que defendam os direitos duramente conquistados”.

A greve geral convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN) contesta o conjunto de mais de cem alterações previstas na reforma à legislação laboral.

Para a estrutura sindical, que foi afastada das negociações, as medidas propostas facilitam despedimentos, enfraquecem direitos sindicais e de parentalidade, agravam a precariedade e são sinónimo de um retrocesso.

O Governo considera as medidas necessárias para modernizar o mercado de trabalho e aumentar a competitividade das empresas.

Esta é a segunda greve geral desde que a nova legislação laboral está a ser negociada, depois da paralisação de 11 de dezembro.