Corvo celebra 25 de Abril com “Dia Aberto dos Moinhos” e valorização do património local
O Corvo vai assinalar o 25 de Abril com o “Dia Aberto dos Moinhos”, uma iniciativa do Ecomuseu do Corvo que recria práticas tradicionais de moagem e destaca o património e a memória comunitária da ilha mais pequena dos Açores.
O Ecomuseu do Corvo promove no sábado o “Dia Aberto dos Moinhos”, associando o 25 de Abril à valorização do património e tradições, com demonstrações do processo tradicional de moagem, revivendo práticas de gerações na mais pequena ilha açoriana.
Sob o mote “Moinhos que celebram Abril”, a atividade, que decorre a partir das 14:30 locais (15:30 em Lisboa), “é um convite aberto a toda a comunidade para celebrar o património, a identidade da ilha e a história, numa data tão importante para o país”, afirmou a diretora do Ecomuseu do Corvo, nos Açores, Deolinda Estêvão, em declarações à agência Lusa.
Segundo a responsável, esta atividade já se realiza há alguns anos, mas em 2026, e no ano transato, o evento é associado à celebração do 25 de Abril, cruzando "a identidade com a memória histórica".
Atualmente, restam apenas três moinhos no Corvo, propriedade privada, mas chegaram a ser seis.
Localizados na zona do aeroporto, estes três moinhos foram reabilitados há alguns anos.
No sábado serão, se o vento permitir, colocados em funcionamento, recriando práticas que no passado eram essenciais à sobrevivência da população, descreveu a diretora do Ecomuseu.
“Queremos prestar homenagem à comunidade através dos moinhos e ao trabalho a eles associado”, vincou Deolinda Estêvão.
Os moinhos, as eiras e as atafonas são elementos do património do Corvo e “testemunhos de um passado em que os cereais tinham muita importância para esta comunidade tão isolada e tão resiliente”.
Ao longo do dia, a comunidade, em especial os mais jovens, terá a oportunidade de conhecer todo o processo de moagem, desde a montagem das velas, o rodar e a fixação da carapuça, a moagem propriamente dita, a travagem e o controlo do grão, culminando no ensacar da farinha, na pesagem e no pagamento ao moleiro.
“No sábado vamos dar vida a estes espaços e a um saber ancestral que marcou gerações. Vamos abrir estes espaços e mostrá-los à comunidade. Mostrá-los a quem nos visita”, realçou à Lusa a diretora do Ecomuseu do Corvo.
Em paralelo, decorrerão diversas atividades complementares, nomeadamente, exposições, mostras artesanais, o jogo “Segredos ao Vento – A Aventura dos Moinhos do Corvo”, destinado aos mais jovens, jogos do património, desafios do “Falar Corvino”, bem como outras ações associadas a este evento e à comemoração do 52.º aniversário da Revolução de 25 de Abril.
O Ecomuseu preparou iniciativas simbólicas evocativas do 25 de Abril, como música alusiva à data e um workshop de cravos.
“No fundo, o que pretendemos com esta iniciativa é juntar um pouco o passado ao presente, os moinhos como memória viva desta comunidade e o 25 de Abril como conquista da liberdade que continua a ser valorizada e celebrada”, sublinhou a diretora do Ecomuseu, apelando à participação das famílias do Corvo nesta atividade ao ar livre, para que “estas histórias não se percam no tempo”.
Deolinda Estêvão destacou ainda que esta atividade "não se poderia realizar sem a participação ativa dos proprietários dos moinhos" e dos membros da comunidade, que assumirão o papel de guias intérpretes.
"São eles os detentores do saber e são eles que vão ser os intermediários na transmissão desse conhecimento, daí a grande ligação desta atividade com o saber comunitário", sublinhou.