Greve geral adia consultas e cirurgias programadas: "Querem atirar os médicos para a exaustão"
O impacto da greve geral na saúde faz-se sentir sobretudo no adiamento de consultas e cirurgias programadas. Os serviços mínimos estão assegurados, como acontece por exemplo no tratamento de doentes oncológicos.
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) confirmou a participação dos médicos dos setores público, privado e social, e fala numa adesão "elevada".
"Os dados que temos é que os blocos centrais estão encerrados na esmagadora maioria dos hospitais,como no Hospital de São João, no IPO do Porto, em Viana do Castelo", afirmou Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM, em declarações à RTP, no Porto, esta manhã.
Joana Bordalo e Sá refere que a elevada adesão dos médicos a esta greve geral, tal como aconteceu na greve de 11 de dezembro, "é fruto das políticas que Luís Montenegro quer aplicar ao país".
"A reforma laboral vai agravar o trabalho dos médicos, dos enfermeiros, dos técnicos de saúde, dos assistentes operacionais, sobretudo dos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde. (...) Querem atirar os médicos para a exaustão e isto compromete a segurança dos atos em si", sublinhou.
Filipe Pereira, coordenador da União de Sindicatos do Porto, admitiu, também em declarações à RTP, que esta é "uma greve mais participada" que a última paralisação e que os "trabalhadores estão a dizer que não aceitam mais precariedade nas suas vidas".
"Os trabalhadores estão a dizer que não aceitam mais precariedade nas suas vidas, que não aceitam banco de horas, outsourcing, a retirada de direitos de parentalidade e a retirada de direitos de liberdade sindica, nomeadamente o direito à greve", frisou.
Já Fátima Monteiro, do Sindicato dos Enfermeiros, adiantou que as taxas de adesão à greve são "acima de 75%" e que esses valores representam "uma rejeição total a este pacote laboral". "Este pacote não serve os enfermeiros e não serve o país", acrescentou.
A administração do Hospital de São João, no enanto, fala numa adesão a rondar os 38%.
Esta é a segunda greve geral contra o pacote laboral - a primeira ocorreu a 11 de dezembro - , mas desta vez a UGT não se juntou à paralisação.
Ao Conta Lá, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, sublinhou que “neste momento há um nível de esclarecimento muito maior quanto ao conteúdo do pacote laboral". "Saíram várias sondagens e todas elas revelam o mesmo: que os trabalhadores identificam este pacote laboral como algo que os vem prejudicar”, sublinha o líder sindical.