Mais de cinco milhões de dados para os vinhos do Alentejo se afirmarem entre as grandes regiões do mundo
Os vinhos do Alentejo querem-se afirmar de forma mais assertiva a nível global nos próximos cinco anos e por isso colocam uma meta ambiciosa. Nada menos de que estar entre os melhores do mundo. Por isso, a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) lançou a Data+, uma ferramenta inovadora de controlo e rastreabilidade da fileira vitivinícola alentejana, única no setor e que reúne mais de cinco milhões de dados.
Trata-se de uma plataforma que disponibiliza dados por sub-região, casta, país de exportação e muito mais, permitindo acompanhar a evolução da atividade ao longo de mais de 15 anos. O objetivo é reforçar a monitorização da produção, a rastreabilidade dos mercados e a recolha e tratamento de informação estratégica para o setor. Algo só possível porque o Alentejo é a única região vitivinícola nacional a concentrar este histórico de informação desde 1989.
“Esta aposta vai permitir aumentar o rigor e a transparência, ao mesmo tempo que auxilia os produtores na tomada de decisão estratégica, uma vez que existirá atualização regular da informação, dotando o setor de melhores ferramentas de gestão e acompanhamento da atividade”, garante o presidente da CVRA, Luís Sequeira.
O lançamento do Data+ foi igualmente o mote para a apresentação dos resultados de um estudo socioeconómico desenvolvido pela Universidade Nova SBE, cujos resultados mostram que os vinhos da região geram mais de 1,45 mil milhões de euros para a economia portuguesa e acrescentam 673 milhões de euros ao PIB nacional.
Crescimento de 41,1%
De acordo com o documento, o setor vitivinícola alentejano contribuiu ainda com 95 milhões de euros em receita fiscal para o Estado, através de IVA e IRS, sustentou mais de 21 mil empregos diretos e assegurou 269 milhões de euros em remunerações. Os números dão ainda conta que o Alentejo representa cerca de 16,4% da produção nacional de vinho, 16,8% da produção nacional de vinho DOP e 19% da produção nacional de vinho IGP.
Ambas as iniciativas encontram-se integradas no no Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031, que define as prioridades da região até ao final da década e que tem como principal objetivo aumentar o valor gerado pela fileira vitivinícola alentejana, projetando o Alentejo como uma das grandes regiões de vinho do mundo.
Controlo e fiscalização, marketing e mercados, enoturismo, sustentabilidade, viticultura e enologia, e investigação e desenvolvimento, são os seis pilares do documento, que aponta a um crescimento de 41,1% no volume total de negócio do setor até 2030. A percentagem correspondente a mais 158,9 milhões de euros de valor adicional, assente numa estratégia de valorização do produto, reforço da presença internacional, crescimento do enoturismo e aposta contínua na sustentabilidade.