Portugal foi o segundo país da UE a perder mais crianças nos últimos 50 anos. Há quatro municípios que contrariam quebra

Em 1975, Portugal era o segundo país europeu com mais crianças, mas, no ano passado, já era o quarto com menos. 
Sofia Santana
Sofia Santana Editora Digital
01 jun. 2026, 12:58

Portugal foi o segundo país da União Europeia a perder mais crianças nos últimos 50 anos. A conclusão consta num estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com base nos dados do INE, da Pordata e do Eurostat.

Atualmente, vivem no país 1,58 milhões de crianças com idade igual ou inferior a 12 anos. 

Em 1975, Portugal era o segundo país europeu com mais crianças: 22% da população tinha menos de 12 anos. Mas, no ano passado, era o quarto país com menos e as crianças representavam apenas 9,8% da população. 

O retrato mostra que, entre 1991 e 2024, o número de crianças só cresceu em quatro municípios: o Montijo regista o maior aumento (10,6%), seguindo-se Lisboa (9,2%), Aljezur (8,8%) e Vila Velha de Ródão (6,8%). A descida o número de crianças foi maior nos municípios de Câmara de Lobos, Ribeira Grande e Porto Moniz.

No que se refere ao contexto familiar em que se inserem, 69% das crianças vivem com um casal, 20% em famílias com mais de dois adultos e 11% em famílias monoparentais.

Ainda há 157 mil crianças que vivem em famílias em risco de pobreza, embora este número tenha registado uma descida acentuada na última década - em 2015 eram 260 mil.

Relativamente à educação, 94,5% das crianças entre os 3 anos e a idade de entrada na escola frequentam o pré-escolar, uma percentagem que coloca Portugal próximo do topo europeu, liderado por França. 

Por outro lado, as crianças em Portugal são das que passam mais horas em creches e escolas: o país está entre os cinco da UE com maior média de horas semanais em creches, infantários e escolas. Entre os 6 e os 11 anos, por exemplo, as crianças passam 38 horas por semana na escola, estando acima da média da UE - 31,5 horas. Em termos globais, Portugal só é ultrapassado pela Hungria, o país da UE em que as crianças têm uma carga horária média superior.