Setor da cortiça está a perder trabalhadores devido à queda dos preços

Há produtores de cortiça a deixar a atividade porque esta não compensa os custos que acarreta. Contestam uma descida no pagamento pela matéria-prima, apesar de “uma aparente subida do preço final das rolhas”.
 
Redação
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01 jun. 2026, 16:50

Os produtores da cortiça que fornecem a empresa Amorim denunciam uma queda de preços por parte da multinacional que compra e transforma a matéria. No Dia Nacional do Sobreiro e da Cortiça, que se celebra esta segunda-feira, o setor está sob críticas e há quem pondere abandonar a atividade.
 
De acordo com o Jornal de Notícias (JN), os produtores queixam-se que a empresa Corticeira Amorim, a maior do setor no país e também líder mundial, não cobre os custos de produção dos sobreiros, uma espécie autóctone, e da mão de obra de extração da cortiça.  A notícia avança testemunhos de produtores de cortiça que estão a abandonar a profissão por receberem valores cada vez mais baixos da empresa de transformação de cortiça pela matéria-prima. 

Albano Rosa, trabalhador no setor, refere que "a Corticeira Amorim reduziu drasticamente o volume das compras e os preços nas campanhas de 2024, 2025 e 2026, apesar de uma escassa contração do volume de vendas e de uma aparente subida do preço final das rolhas".

Em declarações ao diário, outro produtor de cortiça, Diogo Mexia, que confirma que há quem já tenha deixado a atividade, pondera vender as explorações caso não entre no mercado uma empresa que concorra com a Amorim.

Segundo a DGAV (Direção Geral de Alimentação e Veterinária), o Dia Nacional do Sobreiro e da Cortiça, celebrado a 1 de junho, representa uma homenagem ao Sobreiro, que “desde 2011 tem o estatuto de «Árvore Nacional de Portugal»”. 

O sobreiro é uma espécie autóctone protegida, com maior presença no Ribatejo e Alentejo, e que ocupa mais de 700 mil hectares do território continental.