Gaia quer criar paisagem protegida do Vale do rio Febros
A Câmara de Gaia vai votar, na reunião pública de terça-feira, a criação da Paisagem Protegida Local do Vale do Febros, rio com cerca de 15 quilómetros cujo vale é 'habitat' para mais de mil espécies.
Na nota justificativa da proposta a que a Lusa teve acesso, argumenta-se que "o vale do Febros constitui um corredor ecológico de elevada relevância, com importante interesse recreativo e notável valor para a conservação da biodiversidade".
O rio Febros nasce no Parque das Corgas, na freguesia de Seixezelo e desagua no lugar de Esteiro, na freguesia de Avintes.
O vale é também "utilizado por diversas espécies de aves, nomeadamente por espécies migradoras que recorrem aos vales fluviais como corredores naturais de deslocação, como o rouxinol (luscinia megarhynchos) e o pintassilgo-verde (Carduelis spinus), entre muitas outras".
É ainda habitat "de espécies com estatuto de conservação relevante a nível nacional e comunitário", como "a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica), classificada como Quase Ameaçada (NT) a nível global e Vulnerável (VU) a nível nacional, bem como do lagartode-água a (lacerta schreiberi}, considerado Quase Ameaçado".
"O sistema ribeirinho alberga ainda a rã-ibérica (Rana iberica), a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) e a lontra (Lutra lutra), espécies indicadoras da boa qualidade ecológica dos cursos de água", refere, albergando ainda espécies de invertebrados legalmente protegidos, como a borboleta Euphydryas aurinia, a lesma-do-Gerês (Geomalacus macu/osus) e o vaca-loura (Lucanus cervus).
A proposta destaca "igualmente a presença de espécies de libélulas associadas a linhas de água bem conservadas, como Coenagrion mercuriale, Oxygastra curtisii e Gomphus graslinii, todas com estatutos de conservação que variam entre Quase Ameaçadas (NT} e Em Perigo (EN}, a nível europeu, mediterrânico ou nacional, o que reforça o elevado valor ecológico do vale".
Quanto à flora, assinala-se a presença "até há poucos anos, dos narcisas endémicos da Península Ibérica, Narcissus cyclamineus DC., localmente designados por "martelinhos", cujo estado de conservação foi considerado "Muito raro e em perigo de extinção" pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas em 2006, mantendo atualmente o estatuto de "Vulnerável" segundo a Lista Vermelha da Flora Vascular (2020).
"No total, encontram-se inventariadas no vale do Febros mais de 1.000 espécies de plantas e animais, o que evidencia a excecional diversidade biológica deste território", destaca a proposta, defendendo que "a criação de uma Paisagem Protegida Local permitirá preservar e valorizar e este ecossistema singular".
A proposta prevê que o município "contemplará no seu plano plurianual de investimento e no seu orçamento os recursos financeiros, materiais e humanos necessários à prossecução dos objetivos da Paisagem Protegida Local do Vale do Febros", sendo também objeto de um plano de gestão.