Calçado português acelera e supera 1,3 mil milhões de euros em exportações

Portugal exportou até setembro 53,3 milhões de pares de sapatos no valor de 1.

Agência Lusa
Agência Lusa Jornalista 25 Nov. 2025, 12:26
Calçado português acelera e supera 1,3 mil milhões de euros em exportações

Portugal exportou até setembro 53,3 milhões de pares de sapatos no valor de 1.321,7 milhões de euros, mais 3,8% em quantidade e 2,1% em valor face ao período homólogo, anunciou esta terça-feira a associação setorial.
25 nov. 2025, 12:26 Hugo Delgado/Lusa Em comunicado, a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) afirma que o setor “consolidou em setembro o ciclo de crescimento observado ao longo de 2025, reforçando a sua posição nos principais mercados internacionais” e ganhando quota face aos principais concorrentes.

Destacando a “forte capacidade competitiva do setor num contexto internacional desafiante e marcado por instabilidade em mercados estratégicos, como a Alemanha ou França”, a APICCAPS salienta o crescimento do calçado de segurança (+17% em valor), do calçado para criança (+6%) e do calçado em materiais têxteis (+18,8%).

Já o calçado em couro, o principal agregado das exportações portuguesas, “manteve estabilidade em valor, contrariando o ambiente global de forte pressão sobre margens e preços médios”.

Nos primeiros nove meses do ano, a Europa continuou a ser o principal destino do calçado português, absorvendo cerca de 80% das exportações, tendo as vendas para o mercado europeu crescido 5,9% em quantidade (para 47 milhões de pares) e 4,4% em valor (para1.098 milhões de euros).

A associação destaca os aumentos registados na Alemanha (+11,3%, para 372 milhões de euros) e em Espanha (+20,6%, para 139 milhões de euros), enquanto França, um mercado “historicamente central” para o setor, registou um ligeiro recuo de 0,4%, para 263 milhões de euros.

Fora da Europa, manteve-se a recuperação nos Estados Unidos, após um início de ano “marcado por forte volatilidade”.

Embora este mercado registe ainda um recuo de 7,9% até setembro, está já longe das quebras mais pronunciadas do primeiro trimestre.

Nos mercados asiáticos, a APICCAPS aponta os crescimentos na Coreia do Sul (+18,2%) e no Japão (+4,8%), com as vendas para ambos estes mercados a aproximarem-se dos três milhões de euros.

Citado no comunicado, o presidente da associação considera que estes resultados “refletem a enorme capacidade de adaptação da indústria portuguesa num momento de grande complexidade”.

Afirmando que a indústria nacional “soube ajustar-se rapidamente às novas dinâmicas de consumo”, Luís Onofre sublinha que “o setor está, na sequência dos investimentos em curso, mais preparado para competir globalmente”.

Para a APICCAPS, os dados do mês de setembro assumem “uma relevância especial ao confirmar a inversão da tendência negativa registada em 2024 e ao consolidar a trajetória de recuperação iniciada no início de 2025”.

Algo que, enfatiza Onofre, “não acontece por acaso”, mas “é o resultado de uma estratégia coletiva e um forte investimento”.

Com estes resultados, o dirigente associativo acredita que 2025 terminará como “um ano de estabilização e reposicionamento estratégico”, marcando “um novo ciclo de afirmação internacional da indústria portuguesa de calçado”, num período que “está a ser muito difícil para o setor do calçado no plano internacional”.

A este propósito, a associação enfatiza o facto de a ‘performance’ portuguesa continuar a superar a dos concorrentes, o que lhe tem permitido ganhar quota de mercado.

Segundo dados do Eurostat, até agosto, a indústria italiana recuou 1,3% e a Espanha 3,3%, enquanto a Turquia registou uma quebra acumulada das exportações na ordem dos 13%.

Quanto ao maior ‘player’ internacional do setor, a China, que tem uma quota na produção mundial de 56%, estava a cair 9,1% no acumulado entre janeiro e setembro. Tags relacionadas: Economia comércio Economia Empresas