Trabalhadores do setor do calçado com aumentos moderados leva sindicatos a criticar valores
Os trabalhadores do setor poderão beneficiar de subidas até 50 euros por mês, dependendo da categoria.
Os trabalhadores do setor poderão beneficiar de subidas até 50 euros por mês, dependendo da categoria. O acordo inclui também um aumento do subsídio de refeição para 4,5 euros. Os maiores aumentos abrangem trabalhadores das áreas de produção e administrativos nos níveis mais elevados. 20 mar. 2026, 11:55 Aumentos salariais ficam aquém das reivindicações sindicais
A associação patronal do calçado APICCAPS e a FESETE assinaram um novo contrato coletivo de trabalho que prevê um aumento da massa salarial em 3,1% e de até 50 euros por mês.
O novo acordo foi assinado entre a APICCAPS e a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal (FESETE) e prevê “uma atualização da massa salarial de 3,1%, depois de já acomodada a atualização do salário mínimo nacional”.
Num comunicado divulgado esta sexta-feira pela associação patronal, este acordo reflete o “esforço de adaptação do setor a um contexto económico exigente”, remetendo para a pressão sobre os custos e a necessidade “de reforçar a competitividade internacional”.
A FESETE lamentou que as propostas sindicais de aumentos salariais de 150 euros, a atualização do aumento do subsídio de refeição para os seis euros e a redução progressiva da semana de trabalho para 35 horas não tenham sido aceites pela APICCAPS.
Segundo a federação sindical, a associação patronal registou que as propostas não eram comportáveis pelas empresas.
As tabelas publicadas pela FESETE registam que o subsídio de refeição subiu de 4,0 para 4,5 euros de 2025 para 2026 em todas as profissões abrangidas e que os aumentos foram de até 50 euros por mês.
Os maiores aumentos estão previstos para os trabalhadores de grau I, II e III das profissões da produção e dos administrativos, que passam a receber, respetivamente, 1.350, 1.150 e 1.000 euros.
Para os trabalhadores do grupo IV, o salário acordado passa a ser de 945 euros e entre os grupos V e VIII há reduções progressivas de cinco euros por mês, estando tabelado para estes últimos o salário mínimo.
Os restantes trabalhadores destes dois grupos, que já tinham visto os seus salários subirem em linha com a atualização do salário mínimo nacional para 920 euros, tiveram aumentos de até 25 euros acima deste valor.
Nas profissões de apoio, antes do acordo entre patronato e sindicalistas, apenas os trabalhadores de grau I estavam acima do valor atualizado do salário mínimo (950 euros), tendo tido uma atualização de 50 euros, para mil euros. Nos grupos II, III e IV, os restantes com remuneração acima do salário mínimo, os salários passam a 945, 935 e 930 euros.
Citado no documento, o presidente da APICCAPS, Luís Onofre, sublinhou a necessidade do contrato coletivo, que disse ser “determinante para a regulação e organização da indústria” e que garante previsibilidade às empresas e proteção aos trabalhadores.
Luís Onofre registou ainda que o acordo “surge num momento particularmente desafiante para a economia nacional e para a indústria exportadora”, mas reconheceu que representa um equilíbrio para as partes.
O presidente da associação acrescentou que o novo acordo é também “um sinal de compromisso social e de coesão, numa altura em que as empresas enfrentam um enquadramento internacional incerto”.
Por sua vez, a FESETE lamentou a diminuição do poder de compra e anteviu que, este ano, “as guerras em curso trarão, com certeza, penosas consequências, em particular no aumento dos preços dos bens essenciais”.
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