Boticas mantém oposição ao lítio após Comissão Europeia rejeitar queixas

A Comissão Europeia rejeita as queixas das Organizações Não Governamentais (ONG) ao projeto da mina de lítio de Covas do Barroso, no município de Boticas.

Hugo Santos Gonçalves Jornalista
Hugo Santos Gonçalves Jornalista Jornalista 8 Jul. 2026, 11:56
Boticas mantém oposição ao lítio após Comissão Europeia rejeitar queixas

A Comissão Europeia rejeita as queixas das Organizações Não Governamentais (ONG) ao projeto da mina de lítio de Covas do Barroso, no município de Boticas. O presidente da Câmara, Guilherme Pires, reforça a posição de oposição da exploração e o apoio à população. 04 dez. 2025, 18:00 Executivo de Boticas pede transparência e esclarecimentos sobre o projeto de exploração da mina de lítio do Barroso.

Guilherme Pires, presidente da Câmara de Boticas, fortalece a oposição à exploração de lítio na Cova do Barroso, no município do distrito de Vila Real.

“A nossa posição de oposição continua e as nossas dúvidas mantêm-se”, adianta em declarações ao Conta Lá.

Num comunicado conjunto, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), a MiningWatch Portugal e a ClientEarth contestam a decisão da Comissão europeia em manter a exploração da mina do Barroso na lista de “projetos estratégicos”, ao abrigo do Regulamento das Matérias-Primas Críticas. Para as ONG, a decisão de avançar com o projeto “ignora evidências crescentes de que a mina apresenta riscos ambientais e de segurança graves”.

Aida Fernandes, da UDCB, afirma que “a Europa não pode construir um futuro verde destruindo lugares que já vivem de forma sustentável.” A representante da associação local defende que “Covas do Barroso não é uma zona de sacrifício”, em comunicado.

Guilherme Pires, do PSD, desvaloriza a rejeição das queixas pela Comissão Europeia e critica a falta de transparência e esclarecimentos do processo. “As ações ganhas nos tribunais e na Comissão Europeia não legitimam nada e não apagam os argumentos, nem esclarecem as dúvidas, quanto à seriedade ambiental do projeto”, refere.

O presidente do executivo de Boticas salienta que “as respostas dadas não nos satisfazem” e pede “transparência e clareza”.

Algumas das preocupações estão relacionadas com “o desenvolvimento do projeto, o alto consumo de água na exploração da mina, os riscos para as comunidades envolventes e os impactos ambientais”, explica Guilherme Pires. Está ainda prevista a circulação diária de “240 camiões e de mais de uma centena de viaturas ligeiras” na zona, fatores que causam apreensão na “forma como a circulação e o modo de vida rural vão ser afetados”, aponta o autarca.

O presidente da Câmara de Boticas valoriza o desenvolvimento do concelho, “mas não pode ser a todo o custo, tem de respeitar as populações.” Com a previsão de arranque de obras em 2026 e produção de lítio dois anos depois, o autarca garante que “enquanto a nossa população não estiver esclarecida, nós estamos com eles”.

A empresa que detém a concessão da mina de lítio do Barroso, Savannah, defende que o projeto vai ter “um papel fundamental na reindustrialização da Europa, na descarbonização do transporte na União Europeia e no combate à dependência energética externa”, em comunicado. Para Savannah, a decisão de Bruxelas acompanha “várias outras decisões dos tribunais nacionais em dar razão à Savannah”.

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