Pescadores do Mondego receiam escassez de lampreia devido ao mau tempo

Os pescadores do rio Mondego estão sem trabalhar desde 22 de janeiro por causa das tempestades.

Agência Lusa
Agência Lusa Jornalista 8 Jul. 2026, 13:08
Pescadores do Mondego receiam escassez de lampreia devido ao mau tempo

Os pescadores do rio Mondego estão sem trabalhar desde 22 de janeiro por causa das tempestades. A interrupção prolongada e a força da corrente levam a receios de que a lampreia falte nos pratos este ano. Mesmo com melhoria do tempo, o período de defeso previsto entre 17 e 26 de março preocupa o setor. 11 fev. 2026, 18:41 Pescadores pedem suspensão do defeso para minimizar perdas na lampreia

Os pescadores do rio Mondego estão sem trabalhar desde o dia 22 de janeiro devido ao mau tempo e a indefinição das próximas semanas leva-os a pensar que a lampreia poderá este ano escassear nos pratos.

“Trabalhámos nove dias em janeiro e estávamos a ter uma amostra de lampreias que não tivemos no ano passado. Mas tudo muda de repente”, lamentou esta quarta-feira Alexandre Carvalho, representante de pescadores e armadores da pequena pesca da Figueira da Foz, no distrito de Coimbra, em declarações à agência Lusa.

Autorizada entre 10 de janeiro e 05 de abril, a captura da lampreia estava este ano a gerar boas expectativas, depois de um 2024 que foi o ano com menor efetivo de adultos reprodutores no Mondego e de um 2025 com um mês de janeiro que “não deu lampreia nenhuma”.

O pescador mostrou-se pessimista relativamente às próximas semanas, mesmo que as condições climatéricas melhorem: “há muita madeira e muita força de água, ninguém pode trabalhar assim”.

A agravar a situação está o facto de o calendário prever um período de defeso para a lampreia entre os dias 17 e 26 de março.

Alexandre Carvalho contou que os pescadores da lampreia e do sável já pediram a suspensão deste defeso, numa tentativa de não ficarem tão prejudicados.

Segundo o pescador, apesar de o mar revolto e a rebentação forte poderem dificultar a entrada lampreia na barra, ela não tem problemas em subir o rio por a corrente estar forte.

“Nas cheias de há 25 anos chegávamos a agarrar às 30/40/50 lampreias por dia, cada embarcação. Os compradores até meteram uma norma que só queriam dez lampreias por dia de cada barco, para poder escoar o produto”, recordou.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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