Menos verba, novas prioridades: o orçamento da Nazaré para 2026

A autarquia da Nazaré vai gerir em 2026 um orçamento de 28,1 milhões de euros, menos 3,2 milhões do que em 2025, com prioridade para investimentos nas...

Agência Lusa
Agência Lusa Jornalista 8 Jul. 2026, 12:53
Menos verba, novas prioridades: o orçamento da Nazaré para 2026

A autarquia da Nazaré vai gerir em 2026 um orçamento de 28,1 milhões de euros, menos 3,2 milhões do que em 2025, com prioridade para investimentos nas infraestruturas e funções sociais. 09 dez. 2025, 15:51 Câmara Municipal da Nazaré

A Câmara da Nazaré vai gerir, em 2026, um orçamento de 28,1 milhões de euros (ME), menos 3,2 milhões do que o orçamentado em 2025, de acordo com os documentos previsionais aprovados hoje por maioria.

O documento, a que a agência Lusa teve acesso, regista um decréscimo de 3,2 ME relativamente a 2025, ano em o orçamento totalizou 31,3 ME.

A proposta de orçamento para 2026, apresentada pelo executivo de maioria social-democrata, justifica esta diminuição “pelo decréscimo na rubrica de aquisição de bens de capital, menos 3,8 ME, em resultado “da execução financeira de boa parte da empreitada do Funicular da Nazaré”.

A descida para 28,1 ME é ainda justificada pela diminuição de outras despesas de capital (menos 500 mil euros) e o aumento das despesas com pessoal (mais 613 mil euros).

Do lado da receita, verifica-se um decréscimo nas transferências de capital (menos 3,5 ME) e nos passivos financeiros (menos 1,2 ME), pode ler-se no documento.

Em 2026, a Câmara, do distrito de Leiria, prevê arrecadar 19,7 ME de receitas correntes e 8,3 ME em receitas de capital.

Nas receitas correntes, as duas maiores fatias serão os impostos diretos (10,6 ME) e as transferências correntes (6,4 ME).

O Imposto Municipal sobre Imóveis deverá representar um encaixe de 5,2 ME e o Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas ascenderá a 4,3 ME. Nas receitas de capital a maior fatia será a transferência de 8,1 ME, dos quais 4,1 ME do Orçamento do Estado.

Na despesa, os maiores encargos serão os custos com pessoal (7,6 ME, mais 7,1% do orçamentado no ano anterior) e a aquisição de bens e serviços (7,1 ME).

Nas despesas de capital, o documento destaca um encargo de 9 ME na aquisição de bens de capital.

Para o presidente da autarquia, Serafim António (PSD), este orçamento, “o primeiro de um executivo que assumiu funções há poucas semanas”, reflete o reduzido tempo para preparar o documento, que “não traduz o programa político”.

O autarca afirmou que o orçamento mantém a matriz técnica das Grandes Opções do Plano (GOP) que tinham sido traçadas pelo executivo anterior, mas “ajusta prioridades e introduz reorientações que preparam o caminho para uma governação centrada na proximidade, na modernização do município e na sustentabilidade financeira”.

Serafim António anunciou querer concluir, até ao final do primeiro trimestre de 2026, a reestruturação dos serviços camarários e apontou como prioridades “identificar todas as urgências a serem resolvidas no imediato em todo o edificado municipal”, nomeadamente escolas e estruturas desportivas.

O presidente da câmara realçou ainda o “reforço do apoio financeiro às Juntas de Freguesia em 7%, acima dos valores dos últimos anos”, que em média rondava os 3,5%.

O município prevê investir 14,3 ME nas GOP, nas quais as “Funções Económicas” têm um peso de 46,8%, seguindo-se as “Funções Sociais” com 33,8%, “Outras Funções” com 13,0% e, por fim, as “Funções Gerais” com um peso de 6,4%.

Entre os principais investimentos para 2026 destaca-se o Funicular da Pederneira (5,9 ME), a ampliação e remodelação do Polo de Famalicão da USF Global (307 mil euros), o Interface de Transportes Públicos (259 mil euros), o Centro de Responsabilidade Integrado Oeste (250 mil euros), pavimentação de estradas (250 mil euros), conclusão do Pavilhão Gimnodesportivo de Famalicão (219 mil euros) e Estratégia Local de Habitação (200 mil euros).

Em 2026, o executivo prevê investir 4,8 ME na atividade municipal, na qual as funções sociais assumem o maior peso (54,6%) com uma verba de 2,9 ME que será dividida pela Educação (836 mil euros), Cultura (753 mil euros), Desporto, recreio e lazer (449 mil euros) e Proteção do meio ambiente e natureza (430 mil euros).

Um orçamento “equilibrado, responsável e transparente”, no entender do presidente que pretende negociar “a saída faseada do FAM – Fundo de Apoio Municipal, a que a autarquia está recorreu em 2018 por se encontrar em desequilíbrio financeiro.

Os documentos foram aprovados com os votos favoráveis do PSD (3), a abstenção do PS (3) e um voto contra do Chega.

A vereadora do Chega, Lúcia Loureiro, justificou o voto contra por considerar que “este orçamento empobrece a Nazaré”, mantendo “uma carga fiscal sufocante” e colocando “todo o esforço nas famílias e nas empresas”.

O orçamento e as GOP terão ainda que ser aprovadas pela Assembleia Municipal, onde o PS tem nove deputados, o PS sete, o PCP três e o Chega dois.

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