Lar da Misericórdia de Mirandela reabre nove meses após incêndio
O lar da Misericórdia de Mirandela reabriu esta semana, após o incêndio que provocou a morte de sete idosos em agosto, estando a ser concluída a transferência...
O lar da Misericórdia de Mirandela reabriu esta semana, após o incêndio que provocou a morte de sete idosos em agosto, estando a ser concluída a transferência dos utentes para as instalações renovadas. As obras e aquisição de equipamento custaram mais de 300 mil euros, suportadas pela instituição. 13 mai. 2026, 15:06 Obras tinham previsão de conclusão para o final do ano passado, mas apenas em março foram concluídas. (Lusa/Estela Silva)
O lar da Misericórdia de Mirandela, que ardeu em agosto num incêndio que provocou a morte a sete idosos, reabriu esta semana e prevê-se que ainda esta quarta-feira esteja concluída a transferência de todos os utentes para as instalações.
Em declarações à Lusa, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela, João Matias, adiantou que os utentes, que estavam redistribuídos por outros lares do concelho, começaram a ser transferidos para a infraestrutura na segunda-feira.
“Estavam distribuídos por vários locais, particularmente da instituição”, explicou, acrescentando que, atualmente, são cerca de 70, uma vez que alguns foram morrendo durante os nove meses em que o lar esteve fechado.
Inicialmente, o provedor da instituição disse, à Lusa, que previa que as obras estivessem concluídas no final do ano passado, mas acabaram por ficar concluídas apenas em março.
“Demorou muito, sem dúvida. Essa história das obras e dos procedimentos dos concursos é sempre uma coisa que demora, prazos para cumprir. Por outro lado, o facto daquela intempérie no centro do país também nos complicou o processo, porque havia uma empresa daquela região que nos ficou de fornecer umas portas especiais, tipo corta-fogo, para alguns compartimentos e que depois atrasou todo o processo”, esclareceu.
Depois de intervencionado, faltava ainda a avaliação da Proteção Civil das medidas de autoproteção e a respetiva inspeção para reabrir.
“Há as burocracias da autorização para começarmos a trabalhar, as próprias inspeções, a vistoria. (…) Quer a Segurança Social, quer a Proteção Civil, autorizaram-nos a transferir os utentes para o local. A proteção Civil entendeu, por bem, que a inspeção seria feita mais tarde em pleno funcionamento para terem uma real noção das condições de segurança em que estamos a trabalhar”, revelou João Matias.
As obras e aquisição de equipamento, como camas, custaram mais de 300 mil euros, totalmente financiadas pela misericórdia. O provedor quer acreditar que algum do investimento será ressarcido pelos seguros.
“Embora tenhamos previsões que os seguros nos venham ressarcir de algum investimento, os seguros em função da investigação do Ministério Público, só quando houver a conclusão do processo, é que vão decidir o que vão fazer”, disse.
A instituição quer ainda fazer outras obras no lar, como colocar uma vedação à volta do edifício e resolver algumas infiltrações.
À data do incêndio, que alegadamente foi provocado por um curto-circuito num colchão anti-escaras, o lar Bom Samaritano tinha 89 utentes. Seis morreram nesse mesmo dia e um acabou por morrer, mais tarde.
A Policia Judiciária tomou conta da ocorrência e o caso foi encaminhado para o Ministério Público.
João Matias disse, à Lusa, que o processo de investigação está a decorrer e foram ouvidas algumas pessoas, mas que não foi avançada qualquer informação à instituição sobre o estado do processo.
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