Mais de 30% da população de Ourém ainda sem luz
Concelho no distrito de Santarém tem 15 mil pessoas sem fornecimento de energia elétrica.
Concelho no distrito de Santarém tem 15 mil pessoas sem fornecimento de energia elétrica. Autarca diz que as comunicações estão a ser repostas a um ritmo muito lento. “Ourém ficou de fora”, lamenta Luís Miguel Albuquerque.
02 fev. 2026, 14:54 Ourém ficou com 80% das estradas intransitáveis
É no norte do concelho de Ourém que a destruição é mais evidente. Pela estrada que nos leva até Freixianda perde-se a conta ao número de árvores arrancadas, de postes elétricos caídos, de casas com telhados a descoberto ou já remediados com lonas. Um cenário comum a tantas outras localidades como Caxarias, Seiça, Olival ou Rio de Couros.
Na madrugada em que o país foi varrido pela tempestade Kristin, Ourém ficou com 80% das estradas intransitáveis. Praticamente todo o território ficou isolado, sem água, luz e comunicações. Fernando Roque, nascido e criado em Gondemaria, não esquece a noite em que tudo pareceu voar à volta de casa. “Desde o ciclone de 1941 que não se via destruição igual. Cada um acudiu-se a si próprio. Não havia cá ninguém”, conta. O teto de casa ficou danificado e agora que a chuva regressou a Ourém, a situação está ainda mais precária. “Tenho alguidares dentro de casa, tudo a encher. Temos de aguentar com o que temos”, lamenta.
Tal como Fernando Roque, cerca de 15 mil pessoas estão ainda sem energia elétrica, ou seja, mais de 30% da população do concelho de Ourém, com o desabafo a espelhar um sentimento de abandono que é comum à população do concelho. Pedro Folgado, bombeiro sapador, passou dias no terreno na região de Leiria. Quando voltou a casa, em Gondemaria, não conteve a revolta. “Estamos postos de parte. Parece que Ourém não existe. Pensamos em municípios e distritos, mas devíamos ser um todo. Parece que há uma fronteira e para aqui não chega nada”, queixa-se ao Conta Lá.
O presidente da Câmara de Ourém lamenta que o fornecimento esteja a ser reposto a um ritmo lento. Nos primeiros dias depois após a tempestade, “andavam no terreno apenas uma ou duas equipas da E-Redes. As pessoas só se aperceberam da dimensão da tragédia que aqui aconteceu muito tarde. O foco foi direcionado para outros concelhos e Ourém ficou de fora”, critica Luís Miguel Albuquerque.
Arranque da semana com a normalidade possível
Todas as escolas do concelho de Ourém foram danificadas pela tempestade da semana passada, mas a maioria pôde reabrir, esta segunda-feira. Numa publicação no Facebook, o presidente da Câmara garantiu que em 32 dos 34 estabelecimentos de ensino estão asseguradas as condições de segurança, transportes e alimentação.
As instalações do Teatro Municipal de Ourém e da Casa do Administrador continuam abertas à população que precise de acesso a rede wireless, condições para teletrabalho, aquecimento e pontos de carregamento. Também os balneários da Piscina Municipal estão disponíveis para a higiene pessoal dos habitantes.
O Centro Municipal de Exposições mantém-se como ponto de distribuição de comida. Já o Estaleiro Municipal, no Pinheiro, é o espaço para entrega de materiais de apoio, como telhas, lonas e outros materiais de proteção.
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