Mais de 30% da população de Ourém ainda sem luz
Concelho no distrito de Santarém tem 15 mil pessoas sem fornecimento de energia elétrica. Autarca diz que as comunicações estão a ser repostas a um ritmo muito lento. “Ourém ficou de fora”, lamenta Luís Miguel Albuquerque.
É no norte do concelho de Ourém que a destruição é mais evidente. Pela estrada que nos leva até Freixianda perde-se a conta ao número de árvores arrancadas, de postes elétricos caídos, de casas com telhados a descoberto ou já remediados com lonas. Um cenário comum a tantas outras localidades como Caxarias, Seiça, Olival ou Rio de Couros.
Na madrugada em que o país foi varrido pela tempestade Kristin, Ourém ficou com 80% das estradas intransitáveis. Praticamente todo o território ficou isolado, sem água, luz e comunicações. Fernando Roque, nascido e criado em Gondemaria, não esquece a noite em que tudo pareceu voar à volta de casa. “Desde o ciclone de 1941 que não se via destruição igual. Cada um acudiu-se a si próprio. Não havia cá ninguém”, conta. O teto de casa ficou danificado e agora que a chuva regressou a Ourém, a situação está ainda mais precária. “Tenho alguidares dentro de casa, tudo a encher. Temos de aguentar com o que temos”, lamenta.
Tal como Fernando Roque, cerca de 15 mil pessoas estão ainda sem energia elétrica, ou seja, mais de 30% da população do concelho de Ourém, com o desabafo a espelhar um sentimento de abandono que é comum à população do concelho. Pedro Folgado, bombeiro sapador, passou dias no terreno na região de Leiria. Quando voltou a casa, em Gondemaria, não conteve a revolta. "Estamos postos de parte. Parece que Ourém não existe. Pensamos em municípios e distritos, mas devíamos ser um todo. Parece que há uma fronteira e para aqui não chega nada”, queixa-se ao Conta Lá.
O presidente da Câmara de Ourém lamenta que o fornecimento esteja a ser reposto a um ritmo lento. Nos primeiros dias depois após a tempestade, “andavam no terreno apenas uma ou duas equipas da E-Redes. As pessoas só se aperceberam da dimensão da tragédia que aqui aconteceu muito tarde. O foco foi direcionado para outros concelhos e Ourém ficou de fora”, critica Luís Miguel Albuquerque.
Arranque da semana com a normalidade possível
Todas as escolas do concelho de Ourém foram danificadas pela tempestade da semana passada, mas a maioria pôde reabrir, esta segunda-feira. Numa publicação no Facebook, o presidente da Câmara garantiu que em 32 dos 34 estabelecimentos de ensino estão asseguradas as condições de segurança, transportes e alimentação.
As instalações do Teatro Municipal de Ourém e da Casa do Administrador continuam abertas à população que precise de acesso a rede wireless, condições para teletrabalho, aquecimento e pontos de carregamento. Também os balneários da Piscina Municipal estão disponíveis para a higiene pessoal dos habitantes.
O Centro Municipal de Exposições mantém-se como ponto de distribuição de comida. Já o Estaleiro Municipal, no Pinheiro, é o espaço para entrega de materiais de apoio, como telhas, lonas e outros materiais de proteção.