“Que raios?!”: Coimbra ganha uma janela para a formação de “raios cósmicos e partículas radioativas”
Por estes dias, se entrar no exploratório do Centro de Cência Viva da Universidade de Coimbra, será surpreendido por uma instalação do Laboratório de...
Por estes dias, se entrar no exploratório do Centro de Cência Viva da Universidade de Coimbra, será surpreendido por uma instalação do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas que mostra a formação de raios cósmicos e também as poeiras radioativas que resultam da interação de partículas subatómicas.
22 mai. 2026, 08:00
Além dos espaços habitualmente dedicados às exposições, o Exploratório de Coimbra aposta em instalações cientificas com propostas didáticas que são estrategicamente colocadas no caminho de quem o visita.
A mais recente foi agora inaugurada e resulta da colaboração do Centro de Ciência Viva da Universidade de Coimbra com o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Coimbra (LIP), equipa de investigadores que colabora com o CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), que é o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado na fronteira entre a França e a Suíça.
No trabalho desenvolvido para investigar a estrutura fundamental do Universo e as leis que o regem, a equipa de Coimbra do LIP construiu um módulo – uma caixa negra – com câmaras especiais onde é possível visualizar o rasto de partículas subatómicas.
Numa das câmaras é possível ver como acontece a formação de raios cósmicos, matéria habitualmente acelerada por eventos extremos, como supernovas e buracos negros, e que viaja no espaço à velocidade da luz. Alberto Blanco, investigador no LIP, explica que “a primeira câmara mostra os raios cósmicos com partículas que vêm do exterior e que atingem o nosso planeta. Ao entrarem na nossa atmosfera, essas partículas dão origem a subpartículas que aqui dão origem aos raios cósmicos que podemos ver”. É um fenómeno que acontece todos os dias à nossa volta, “essas partículas estão permanentemente a atravessar o nosso corpo”, explica o investigador, mas é algo que não podemos ver sem recurso a uma tecnologia científica avançada.
Numa segunda caixa podemos ver a emissão de radiação do urânio, que toma a forma de nevoeiro após a sua interação com uma pequena rocha radioativa.
O fenómeno, explica Alberto Blanco, “é simples: temos um gás supersaturado lá dentro e o que acontece é que as partículas, quando são emitidas, transportam energia para esse gás supersaturado que condensa”. O que podemos ver, adianta o físico, “é o percurso das partículas de decaimento radioativo, que só conseguimos percepcionar nesta câmara de nevoeiro”.
Paulo Trincão, diretor do Exploratório de Coimbra, explica que o nome foi dado a brincar para ajudar os visitantes a fazer a mesma pergunta: “QUE RAIOS?!!”. “Queremos que as pessoas se questionem, que perguntem que raios são estes e que importância têm para o universo e para a nossa vida”. O Centro de Ciência Viva da Universidade de Coimbra, adianta, abraçou esta “deia extraordinária de mostrar a toda a gente, através de um detector de partículas cósmicas, o fenómeno cientifico que levou à criação do universo”. É algo que só o estudo da física de partículas permite mostrar, reforça o diretor do centro, lembrando que o seu trabalho é «trazer a ciência para a vida das pessoas e ajudá-las a compreender a importância que têm nos mais diversos campos, como o da medicina, por exemplo.
“Que raios?!” está patente no Exploratório – Centro de Ciência Viva, em Coimbra, e é uma mostra coordenada pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Coimbra – LIP – que foi formado há 40 anos, após a adesão de Portugal ao CERN (Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear).
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