Portugal pode antecipar neutralidade climática em uma década e poupar milhões de euros
Portugal tem condições para atingir emissões líquidas nulas já em 2040, dez anos antes da meta atualmente definida pela Comissão Europeia.
Portugal tem condições para atingir emissões líquidas nulas já em 2040, dez anos antes da meta atualmente definida pela Comissão Europeia. A conclusão é de um relatório da Greenpeace, que traça um cenário ambicioso para transformar o sistema energético nacional. 21 abr. 2026, 08:00 Portugal tem condições para zerar emissões uma década antes do previsto
Portugal e Espanha têm capacidade para alcançar emissões líquidas nulas já em 2040, antecipando em dez anos a meta definida pela Comissão Europeia. A conclusão consta de um relatório divulgado pela Greenpeace, que apresenta um modelo energético assente em redução do consumo, eficiência e recurso exclusivo a fontes renováveis.
O estudo “Energia para viver melhor” foi desenvolvido pelo Institute for Sustainable Futures da Universidade Tecnológica de Sydney e analisa 20 setores económicos. A principal proposta passa por uma redução de 39% na procura final de energia até 2040, mantendo simultaneamente a cobertura total através de energias renováveis.
Segundo o relatório, esta transição permitiria a Portugal poupar cerca de 7 mil milhões de euros por ano em custos associados à produção de eletricidade, calor e importação de combustíveis, em comparação com a manutenção das políticas atuais.
A diminuição do consumo energético prevista assenta em medidas de eficiência, eletrificação e no conceito de “suficiência”, que implica reduzir atividades consideradas energeticamente intensivas e de menor valor social.
Por setores, o maior corte ocorreria nos transportes, com uma redução estimada de 72% no consumo energético. A indústria poderia reduzir 26% e os edifícios cerca de 20%, face aos níveis atuais.
A divulgação do estudo coincide com a preparação da Cimeira de Santa Marta, na Colômbia, onde vários países irão discutir estratégias para o abandono dos combustíveis fósseis.
Em comunicado, a Greenpeace apela ao Governo português para assumir um compromisso firme com a eliminação progressiva do petróleo e do gás até 2040, incluindo metas intermédias como a redução de 77% no consumo de gás e 68% no de petróleo até 2035.
Sistema 100% renovável
O modelo proposto prevê um sistema energético totalmente baseado em fontes renováveis até 2040, sem necessidade de recorrer a energia nuclear ou a tecnologias de captura e armazenamento de carbono. O relatório defende ainda que a transição pode ser feita sem comprometer a segurança do abastecimento elétrico.
O relatório indica também que esta abordagem reduz a pressão sobre recursos naturais, nomeadamente minerais críticos. No caso do lítio, a procura poderá aumentar até 4,7 vezes até 2040, mas ainda assim significativamente menos do que num cenário sem medidas de eficiência e reciclagem.
O cenário que integra medidas de suficiência prevê uma menor ocupação de solo para infraestruturas energéticas, poupando cerca de 120 mil hectares na Península Ibérica face a alternativas menos eficientes.
A organização sublinha ainda benefícios sociais, defendendo que a redução do consumo energético, aliada ao acesso universal à energia, pode contribuir para mitigar a pobreza energética e melhorar o conforto térmico das habitações.
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