Alto Minho reclama investimento na região: “Exportamos milhões, mas continuamos com acessibilidades de outro tempo”

O presidente da Câmara de Monção e da CIM do Alto Minho acredita que o Minho Park, inaugurado esta segunda-feira, pode ajudar a fixar jovens e atrair talento, mas alerta que continuam a faltar ligações rodoviárias para responder às necessidades das empresas.
João Nogueira
João Nogueira Jornalista
19 mai. 2026, 11:14

A passagem do primeiro-ministro por Monção, esta segunda-feira, ficou marcada por um recado direto do Alto Minho ao Governo de que a região quer finalmente ver avançar os investimentos nas acessibilidades. O apelo foi lançado por António Barbosa, presidente da Câmara de Monção e da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, durante a inauguração do Minho Park, e foi reforçado na Objetiva, especial do programa Juca.

“Hoje o Alto Minho já não é apenas um território de paisagens bonitas ou de turismo”, afirmou o autarca. “Temos uma região exportadora, que vale mais de dois mil milhões de euros, capaz de atrair investimento e criar emprego qualificado”, continuou.

António Barbosa aproveitou a presença de Luís Montenegro para pedir “respostas concretas” para um conjunto de ligações consideradas prioritárias para a região, numa altura em que o novo parque empresarial abre portas junto à fronteira com a Galiza.

Na entrevista na Objetiva, António Barbosa afirmou que o Minho Park representa “muito mais do que uma nova zona industrial”. O autarca descreveu o projeto, com 56 hectares dedicados à indústria, serviços e inovação, como um símbolo da transformação económica que o Alto Minho tem vindo a viver nos últimos anos.

Segundo o autarca, o crescimento empresarial da região tem acontecido apesar das dificuldades nas acessibilidades. E é precisamente isso que os municípios querem agora ver resolvido. António Barbosa mostrou-se convicto de que o Governo vai avançar com investimentos rodoviários no Alto Minho e revelou que a CIM está a preparar um documento estratégico com as principais obras consideradas prioritárias.

Entre as propostas estão a ligação à variante de Valença, novas travessias sobre o rio Minho, melhorias na ligação entre Monção e Melgaço à autoestrada A52, em Espanha, uma variante em Ponte de Lima, soluções para o trânsito entre Caminha e Viana do Castelo e a continuação da A28.

“O Alto Minho esteve muitos anos esquecido nestas matérias”, criticou o autarca, referindo que “hoje os autarcas estão unidos para garantir que o território começa finalmente a ser ouvido.”

Durante a inauguração, Luís Montenegro reconheceu que Monção e Melgaço continuam a sofrer com limitações rodoviárias e admitiu que a região merece “muita atenção dos poderes públicos”. O primeiro-ministro apontou as ligações a Monção e Melgaço como prioridades, embora sem avançar prazos ou investimentos concretos.

Ainda assim, António Barbosa garantiu sair confiante da visita governamental. “Não tenho dúvidas de que o Governo irá honrar os seus compromissos e responder ao Alto Minho”, afirmou.

Mas o discurso do autarca foi além das estradas. Grande parte da intervenção acabou centrada na capacidade do Minho Park para fixar jovens e atrair talento para o interior do país. António Barbosa explicou que o objetivo não passa por criar “mais um parque empresarial”, mas antes um polo ligado à inovação, à tecnologia e ao emprego qualificado.

Aliás, no próprio dia da inauguração foi instalada uma empresa ligada à investigação tecnológica e à inteligência artificial, numa aposta que o presidente da Câmara considera alinhada com aquilo que deve ser o futuro económico da região. “O objetivo é criar emprego qualificado, com salários acima da média, para que os jovens possam construir aqui o seu futuro”, afirmou.

O autarca defendeu ainda que territórios como Monção podem oferecer vantagens cada vez mais valorizadas pelas novas gerações, desde a habitação mais acessível até à qualidade de vida e proximidade familiar. “Temos de garantir condições para que os jovens não sintam necessidade de sair do país”, disse o autarca.

Também Luís Montenegro deixou uma mensagem direcionada aos mais novos. O primeiro-ministro apelou aos jovens para aproveitarem “o potencial cá dentro, em Portugal”, defendendo que projetos como o Minho Park podem ajudar a criar novas oportunidades fora dos grandes centros urbanos.

Depois de mais de 15 anos parado, o Minho Park surge agora como uma das maiores apostas empresariais do Alto Minho. E para António Barbosa, o investimento pode marcar o início de uma nova fase para a região, desde que o Estado acompanhe esse crescimento com as infraestruturas que, diz, o território reclama há demasiado tempo.