Associações de estudantes expõem realidade do ensino superior: “Temos 100 mil alunos deslocados e só 15 mil camas”
As propinas, as dificuldades financeiras e a falta de alojamento a preços justos, continuam a ser temáticas levantadas pelos estudantes universitários de todo o país. Nesta terça-feira, 24 de março, dia do estudante, Lisboa voltou a ser palco dos protestos estudantis, que juntos centenas de jovens de todo o país.
O presidente da associação de estudantes de Lisboa, Gonçalo Osório de Castro, destacou o aumento da participação dos estudantes do protesto, tendo-se sentido “uma maior adesão por causa das dificuldades que também se vão agravando ao longo dos últimos anos”, explicou.
Em entrevista à jornalista Estela Machado na rubrica Informação Objetiva, do programa Juca, o responsável sublinhou ainda algumas das inquietações que levou, junto de outros estudantes, ao Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Ricardo Alexandre, que frisou serem “praticamente sempre as mesmas”.
Um dos tópicos mais abordados, no encontro que aconteceu na manhã da passada terça-feira, foi a necessidade de um reforço do serviço de ação social. “Nós temos um serviço que investe muito pouco nos estudantes quando comparado com outros países da União Europeia (…). É preciso mais habitação e alojamento estudantil para os estudantes (…), temos muito estudantes deslocados e muito poucas residências estudantis”.
A falta de residências públicas que consigam comportar o número de estudantes do país foi um dos temas levantados na entrevista, na qual o Gonçalo Osório de Castro frisou a situação habitacional: “Temos 100 mil estudantes deslocados e temos 15 mil camas (…) o que depois arrasta os nossos estudantes para situações que são precárias. Salientando os casos como o da cidade de Lisboa que “é a cidade mais cara do país para se estudar (…). Neste momento em lisboa um quarto em Lisboa ronda os 500€”.
Também o presidente da associação de estudantes de Coimbra, José Machado, que se juntou à entrevista, e que também marcou presença no protesto realizado em Lisboa, explicou que “o cenário se tem agravado nos últimos anos”. Em média um quarto na região “custa 280€, no que compete à via de arrendamento legal. Mas nós temos vindo a verificar uma via de arredamento ilegal onde os preços máximos ascendem aos 400/500€ por mês”.
O presidente sublinhou as situações em que os estudantes acabam por ter de abandonar o ensino por não terem condições para suportar estes custos, “desde a habitação, o alojamento e até a mobilidade, cada vez mais”.
Uma das preocupações levantadas, por José Machado junto do Ministro da Educação terá sido a precação com o modelo de financiamento de ensino superior. O estudante diz que “há evidentemente um sub-financiamento crónico das instituições que naturalmente, em última instância, se transpõem para aquilo que é a sua capacidade de resposta das comunidades estudantis”. Além disso, a saúde mental foi também uma das preocupações levantadas pelo estudante.
Face a este cenário, os representantes defendem medidas urgentes e estruturais que garantam condições dignas de acesso e permanência no ensino superior. Sem respostas concretas, avisam, o risco de exclusão e desigualdade continuará a crescer entre os jovens universitários.