Autarquia de Amarante acompanha central solar no Marão como “impacto significativo”
O presidente da Câmara de Amarante disse esta quinta-feira à Lusa que a autarquia vai acompanhar o projeto fotovoltaico proposto para a Serra do Marão, vendo a instalação de 25 mil painéis solares como tendo “impacto significativo”.
“A posição da CMA, não sendo nós afetados diretamente, é de que este impacto será significativo na região, não só a nível visual mas também no que quer que seja o futuro da serra”, disse à Lusa Jorge Ricardo.
Segundo o autarca, Amarante vai continuar a “acompanhar” a situação, mas é implicada no projeto, na freguesia de Ansiães, apenas pelos acessos ao parque de Penedo Ruivo, que atravessa este território, ficando o grosso da obra destinada ao concelho de Baião.
“Não temos instalação de painéis [em território de Amarante], mas o que afeta o Marão afeta-nos a todos. Estamos a falar numa quantidade significativa de painéis”, admitiu.
O edil referiu ainda que compreende a oposição ao projeto, plasmada numa petição pública que já tem mais de mil assinaturas.
“Estamos com interesse em que o Marão se desenvolva, vamos inaugurar uma rota na serra e queremos que o Marão também sirva para isto, para desenvolver turismo, e tenha condições para que as pessoas venham e gostem do que veem”, afirmou.
Também, a presidente da Câmara de Baião, Ana Azevedo, considerou que aquele “talvez não seja o local ideal” para a central fotovoltaica, mesmo sendo “a favor” do uso de energias renováveis.
O projeto de hibridização fotovoltaica do Parque Eólico de Penedo Ruivo, proposto pela empresa EnergieKontor, prevê uma produção anual líquida de 24,86 gigawatt-hora e visa produzir energia elétrica através de sistema fotovoltaico em hibridização com o parque eólico existente.
Segundo o Estudo de Impacte Ambiental (EIA), a área de implementação é de 21 hectares, dos quais cerca de sete serão ocupados com painéis solares, naquele território que abrange os concelhos de Baião e de Amarante, no distrito do Porto.
A consulta pública do projeto decorre até 24 de abril e, até às 18h00 desta quinta-feira, deram entrada mais de uma centena de participações no portal Participa.
Ana Azevedo lembrou que o Marão pertence à Rede Natura 2000, que a zona se estende à Serra da Aboboreira e que este é um território onde se desenvolve turismo de natureza devido às paisagens e aos trilhos, tendo recebido um pedido de parecer por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que requer uma avaliação multidisciplinar do projeto.
Uma petição já subscrita por mais de 1.825 pessoas, também até às 18h00 desta quinta-feira, pede a suspensão do processo de licenciamento da central fotovoltaica proposta para o Parque Eólico Penedo Ruivo até ser realizada uma avaliação ambiental “mais aprofundada e independente”.
O texto da petição refere que a “introdução de milhares de painéis solares e novas infraestruturas poderá alterar significativamente a paisagem e reduzir o valor natural que torna o Marão um destino procurado”.
Critica o projeto por incidir “numa zona sensível do ponto de vista ambiental, inserida em áreas classificadas da Rede Natura 2000 e com presença de habitats e espécies que dependem do equilíbrio ecológico da serra”.
Segundo o EIA, a central exigirá a beneficiação e criação de acessos e a construção tem uma duração prevista de um ano, seguindo-se uma fase de exploração de 30 anos.