Cáritas Macau recolhe fundos para ajudar Portugal e Espanha
O líder da Cáritas Macau disse hoje à Lusa que a organização está a angariar fundos para os afetados pelas tempestades na Península Ibérica, sobretudo devido à "ligação especial" entre Portugal e a região chinesa.
"Os residentes de Macau incluem cidadãos portugueses. Os nossos colegas são portugueses, os nossos vizinhos são portugueses, os nossos parceiros são portugueses. Talvez os nossos professores sejam portugueses", disse Paul Pun Chi Meng.
Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
"Ao vermos e percebermos que há sofrimento lá [em Portugal], podemos ajudar", explicou o secretário-geral da Cáritas Macau.
Numa nota publicada nas redes sociais, a organização católica lamentou as "tempestades devastadoras" que provocaram "inundações catastróficas" e deslizamentos de terras em Portugal e Espanha, destruindo infraestruturas e casas.
"Milhares de pessoas estão desalojadas e necessitam urgentemente de água, alimentos e cuidados médicos. As equipas locais trabalham incansavelmente, mas a recuperação será longa e desafiante", alertou a Cáritas Macau.
Paul Pun demonstrou esperança na solidariedade da população de Macau, especialmente numa altura em que se aproxima o Ano Novo Lunar, a mais tradicional festividade chinesa, que este ano calha em 17 de fevereiro.
A campanha de angariação de fundos foi lançada na terça-feira e irá decorrer durante três meses, referiu Pun.
No final, o dinheiro angariado será enviado para a Cáritas Espanha e a Cáritas Portugal, com quem a Cáritas Macau tem há muito uma parceria, lembrou o secretário-geral.
A Cáritas Macau foi fundada em 1951, ainda durante a administração portuguesa do território.
Em 17 de abril, Paul Pun irá visitar Portugal, numa deslocação já marcada "há meio ano", para discutir como "unir recursos financeiros" para ajudar os mais desfavorecidos, não apenas em Portugal, mas também em outros países lusófonos.