Chaves quer ser ponto de partida para fixar pessoas no Interior: “O grande desafio é demográfico”
Arrancou em Chaves a viagem do “Nacional 2 – O País Que Conta”, a nova operação do Conta Lá que, ao longo de sete semanas, percorre a Estrada Nacional 2 para contar histórias, territórios e desafios de um país que muitas vezes fica fora do mapa mediático. E não é por acaso que tudo começa aqui: no quilómetro zero da EN2, símbolo de ligação entre Norte e Sul, e também de um interior que continua à procura de quem lá fique.
É neste ponto de partida que se encontra o jornalista Luís Varela de Almeida, em direto de Chaves, onde conversou com o presidente da Câmara Municipal, Nuno Vaz Ribeiro, sobre o futuro do concelho. Um futuro que esbarra num problema estrutural e persistente: a dificuldade em fixar pessoas.
“O grande desafio é demográfico”, rematou o autarca, resumindo numa frase aquilo que atravessa não só Chaves, mas grande parte do interior do país. Apesar das melhorias evidentes ao nível das infraestruturas, o autarca traça um retrato claro do interior. “Hoje, temos todos os concelhos com uma qualidade de vida absolutamente assinalável, mas depois, de facto, a grande dificuldade é a fixação e a retenção das pessoas”, afirmou.
Mais do que uma fragilidade local, trata-se de uma tendência global. “Há uma tendência crescente, muito assinalável, de concentração em contextos urbanos”, sublinhou, defendendo uma resposta articulada entre diferentes níveis de decisão política.
Ainda assim, o presidente insiste que o interior tem hoje condições que durante décadas não teve e que o problema já não passa apenas pela falta de infraestruturas. “Todo o território nacional tem a ganhar se nós conseguirmos ter pessoas no território”, realçou Nuno Vaz Ribeiro, reforçando a ideia de que a coesão depende de uma estratégia coletiva e de longo prazo.
Essa estratégia, diz, tem de assentar em pilares concretos: “Isso só é possível com emprego, com qualidade de vida e, depois, com futuro”, apontando áreas como saúde, educação, tecnologia e atração de empresas como essenciais para inverter a tendência.
Ao mesmo tempo, defende que o desenvolvimento do interior deve equilibrar tradição e modernidade. “Temos de ligar o turismo, a cultura, o nosso património (…) mas também fazer essa transição para a modernidade”, afirmou, referindo a importância de centros de conhecimento, ensino superior e potencial industrial.
Neste cenário, a Estrada Nacional 2 surge como mais do que uma ligação rodoviária. É também um ativo estratégico. “Tem um potencial turístico, cultural e etnográfico que ainda não está completamente descoberto”, destacou o presidente, vendo na EN2 uma forma de valorizar identidade e atrair pessoas. Entre tradição e ambição, Chaves quer afirmar-se como ponto de partida não apenas de uma estrada, mas de um desafio maior: transformar o interior num lugar onde não só se passa, mas onde se fica.