Comboio Literário levou histórias e escritores até ao Alentejo
Ainda não eram dez horas da manhã na estação de Santa Apolónia, em Lisboa, quando começaram a surgir os primeiros viajantes de bagagem em punho, preparados para recolher o passe que iria levá-los no Comboio Literário até Évora para um fim de semana, no mínimo, inesquecível. Uma mancha humana de homens e mulheres, uns sozinhos, outros acompanhados. Em comum, estes aventureiros da ferrovia tinham os livros e o gosto pela história.
A viagem aconteceu a bordo de carruagens com mais de 70 anos de vida entre as linhas de comboio do Alentejo. “A ideia surgiu, em primeiro lugar, de uma conversa. Pensámos numa forma de levar os livros e a leitura até às pessoas. E por que não juntar livros e comboios? Os eventos literários estão a crescer em Portugal, as feiras do livro, os festivais literários. Se a isso juntarmos uma ideia sobre o transporte mais literário que existe, o comboio está certamente entre as opções. É suficientemente rápido para nos levar de um ponto para outro, mas suficientemente lento para permitir que vamos a conversar uns com os outros, olhando pela janela. Portanto, com todos estes ingredientes pensámos: e porque não irmos ao encontro de um território que tem muito para mostrar?”, explicou David Lopes, diretor das edições gerais da Leya.

O Comboio Literário juntou mais de uma centena e meia de leitores e 16 escritores nesta primeira viagem histórica. Uma (re)descoberta do território através das palavras, dos sons e da paisagem alentejana. “Achámos que ia ser uma ideia fantástica e isso ficou provado com a procura por bilhetes. A experiência esgotou muito rapidamente. Ao mesmo tempo, é importante porque o comboio em si já proporciona viagens muito interessantes. E ainda juntamos cultura, pontos de interesse, gastronomia e vinhos da região”, comentou Pedro Moreira, diretor da CP.
No primeiro dia, passado em Évora, o grupo foi recebido com um almoço típico da região em pleno Monte Alentejano, onde não faltaram os cantares e os aromas tradicionais. Para a tarde, estava reservada a ida à feira do livro, depois da passagem obrigatória pela Sé Catedral de Évora.
Entre autógrafos, debates e troca de ideias entre leitores e escritores, o fim de tarde e a noite encheram-se de música, com um concerto da Luísa Sobral ainda no recinto da Feira do Livro, e mais literatura com poesia depois do jantar. Para domingo, e antes do regresso à capital, estava reservada mais uma viagem no tempo. O Comboio Literário seguiu até Vila Viçosa para (re)descobrir o Paço Ducal, monumento ímpar na arquitetura civil portuguesa edificado no século XVI.

No fim deste Comboio Literário, foi de coração cheio e ideias a palpitar para as próximas histórias, que escritores e leitores deixaram evidente o anseio por mais iniciativas deste género. Enquanto a organização garantiu que tenciona continuar a criar iniciativas diferenciadas para dar mais vida aos livros, aos hábitos de leitura e a cativar novos leitores.