Comerciantes afetados por obras na Rua Ferreira Borges, em Lisboa, vão beneficiar de isenções fiscais

A Câmara de Lisboa aprovou por unanimidade a isenção temporária de taxas para comerciantes da Rua Ferreira Borges, afetados por obras até 2027, e vai compensar financeiramente a Junta de Freguesia de Campo de Ourique.
Agência Lusa
Agência Lusa
05 fev. 2026, 16:25

Os comerciantes afetados pela obra de requalificação da Rua Ferreira Borges, na freguesia lisboeta de Campo de Ourique, vão poder beneficiar da isenção temporária das taxas de ocupação do espaço público e publicidade, determinou a Câmara de Lisboa.

“O impacto financeiro desta medida estima-se em cerca de 131.106,46 euros, dos quais 14.358,95 euros de perda de receitas para o município e 116.747,51 euros para a Junta de Freguesia”, segundo a proposta da liderança de PSD/CDS-PP/IL, aprovada pela câmara na quarta-feira, em reunião privada.

Fonte oficial da autarquia disse à agência Lusa que a proposta foi viabilizada por unanimidade pelo executivo camarário, tendo agora de ser submetida à Assembleia Municipal.

A isenção das taxas aplicar-se-á “de 1 de janeiro de 2026 a 31 de agosto de 2027”, em resposta à empreitada de requalificação da Rua Ferreira Borges, que começou em 12 de janeiro e que se estima concluída em 05 de agosto de 2027.

“A intervenção na Rua Ferreira Borges – com cerca de 80 lojas e uma circulação estimada de 6.000 automóveis por dia – prevê a retirada da linha do elétrico, requalificação da via, dos pavimentos e dos passeios, passadeiras acessíveis, e requalificação das caldeiras das árvores e da rede de saneamento”, indicou a Câmara de Lisboa, numa publicação no ‘site’ do município.

A empreitada inclui também a instalação de semáforos inteligentes e a adoção de medidas para evitar a paragem indevida durante cargas e descargas, garantindo mais zonas de descanso e menos ruído, e favorecendo o contacto entre residentes e comerciantes.

Segundo a proposta, subscrita pelos responsáveis pelos pelouros das Finanças, Gonçalo Reis (PSD), e da Economia, Diogo Moura (CDS-PP), a isenção de taxas por parte do município abrange “duas licenças de alpendres e três bancas, as quais serão removidas durante a obra, bem como as licenças relativas a publicidade”

Já a Junta de Freguesia de Campo de Ourique “irá proceder à isenção de 120 licenças a 64 estabelecimentos, o que corresponde a uma perda de receita no valor de 116.747,51 euros”, de acordo com o município.

Além da isenção temporária das taxas, a Câmara de Lisboa vai atribuir apoio financeiro à Junta de Freguesia de Campo de Ourique, no valor de 58.373,75 euros, que corresponde a 50% de perda de receita prevista.

“A obra de requalificação da Rua Ferreira Borges é uma intervenção muito desejada pelos moradores de Campo de Ourique e que terá impactos estruturantes na vivência urbana do local”, realçou a autarquia, indicando que o projeto está a ser executado pela empresa municipal Lisboa SRU, num investimento total de 5,5 milhões de euros.

Na reunião privada de quarta-feira, a câmara aprovou também parte de uma moção do BE sobre os impactos da tempestade Kristin, manifestando, por unanimidade, “solidariedade plena” às populações atingidas.

Com os votos contra de PSD/CDS-PP/IL e da vereadora independente Ana Simões Silva (eleita pelo Chega, mas que se desfiliou do partido), foi rejeitada a proposta de instar o Governo a “apoiar financeiramente às populações e municípios afetados”, bem como outros pontos, que tiveram também o voto contra do Chega, nomeadamente para reforçar urgentemente a resiliência das infraestruturas, investir na prevenção e na adaptação climática, melhorar a coordenação entre Governo, Proteção Civil e autarquias, acelerar da declaração de calamidade em eventos futuros e reforçar a capacidade nacional de resposta a fenómenos extremos.

Em comunicado, o BE assinalou ainda o chumbo de uma moção sobre a necessidade de avançar com a residência pública prevista para a Avenida 5 de Outubro, rejeitada com os votos contra da liderança PSD/CDS-PP/IL, do Chega e da independente Ana Simões Silva, e a aprovação de um novo hotel em Marvila, com os votos a favor de PSD/CDS-PP/IL, a abstenção do Chega e de Ana Simões Silva e os votos contra de PS, Livre e BE.

A este propósito, o BE disse que “estão previstos 54 novos hotéis, que se somam aos 334 já existentes”, voltando a exigir um estudo sobre a carga turística e uma moratória a novos hotéis até à revisão do PDM – Plano Diretor Municipal.

Na reunião, o BE exigiu que o presidente do executivo, Carlos Moedas (PSD), esclarecesse a nomeação de Mafalda Guerra para os Serviços Sociais da Câmara de Lisboa, alegadamente negociada com o Chega "em troca de votos favoráveis" nas propostas de PSD/CDS-PP/IL (que governa sem maioria absoluta), mas não obteve resposta.