Construtoras vão concentrar trabalhadores na região Centro para a reconstrução após o temporal
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, afirmou esta segunda-feira que empresas construtoras vão concentrar na região Centro trabalhadores que estavam noutros locais do país, para reconstrução das zonas afetadas pelo mau tempo.
“Já há escassez de mão de obra na área da construção civil no país inteiro. Apesar disso, eu acho que todo o país se sente solidário com o que está aqui a acontecer e, portanto, as grandes empresas de construção civil que aqui estiveram esta segunda-feira mostraram essa disponibilidade para trazer trabalhadores que estavam a trabalhar noutras regiões e que vão ser concentrados aqui na região Centro”, afirmou aos jornalistas Castro Almeida.
O governante falava após uma reunião, em Leiria, com o ministro das Infraestruturas, vários secretários de Estado, construtoras, associações empresariais, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, diversas comunidades intermunicipais, Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), os presidentes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e o responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin.
Segundo o ministro, “isso significa que alguns trabalhos vão ficar para trás, vão atrasar-se”, mas “é inevitável que assim seja”.
“A noção que transmitiram as empresas de construção civil é que vai haver pessoas suficientes para fazer o trabalho”, referiu.
Castro Almeida adiantou que na reunião foi abordada também a forma como levar para o terreno a recuperação dos edifícios, mas, principalmente, “evitar a degradação maior do mal que já está feito”.
Nesse sentido, salientou ser necessária “uma intervenção de emergência para impedir o agravamento daquilo que já está”, explicando que essa será suportada pelo Estado.
O governante acrescentou que se falou também sobre “formas de impedir alguma especulação de preços que comece a surgir e para fazer aprovisionamentos necessários” dos materiais e equipamentos necessários
Questionado sobre o tempo que vai demorar para reerguer esta região, Castro Almeida respondeu “muitos e muitos meses de trabalho, porque há estruturas que ficaram quase completamente destruídas”.
“É como construir de novo”, declarou, reiterando que os prejuízos serão superiores a dois mil milhões de euros.
Já o responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin, Paulo Fernandes, sublinhou que têm pela frente “uma agenda ultra urgente”, para impedir uma maior degradação, estimando, por isso, que o tempo de vida deste organismo seja o mais breve possível.
“A questão central é que ela viverá enquanto for necessária, mas seguramente também deixará de funcionar, e esperemos que o mais depressa possível, no dia que ela não for necessária”, vincou.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.