Cooperativas voltam para dar respostas quando “há pouca habitação feita para os jovens”

Em declarações à jornalista Estela Machado, na rubrica Objetiva do programa Juca, o presidente da Urbisjovem, José Arruda, defendeu o regresso das cooperativas como alternativa à crise da habitação, considerando que as medidas atuais não resolvem o problema do acesso à casa.
Redação
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Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
09 abr. 2026, 12:00

As medidas atuais para facilitar o acesso à habitação não estão a resolver o problema – e há quem procure alternativas fora do modelo dominante. A posição é de José Arruda, presidente da Urbisjovem, que defende o regresso das cooperativas como resposta à dificuldade crescente dos jovens em comprar casa. Em declarações à jornalista Estela Machado, na rubrica Objetiva do programa Juca, o responsável foi direto: “não resolve”.

Apesar dos apoios existentes, considera que o problema estrutural se mantém. “As pessoas não têm possibilidades de adquirir aos valores que estão no mercado”. A crítica estende-se ao próprio funcionamento do setor. “Não podemos estar unicamente dependentes quer da estratégia do setor público quer dos privados”, afirmou, sublinhando que “os privados, quando estão no mercado, é para ganhar dinheiro”.

É neste contexto que surge a aposta na reativação do modelo cooperativo, inspirado na experiência da Habijovem, criada nos anos 90. Na altura, o movimento reuniu oito cooperativas em todo o país e construiu cerca de mil habitações, incluindo um projeto de 120 fogos em Santarém. “Sentíamos que já nessa altura o preço da habitação era elevado”, recordou.

A proposta passa agora por retomar esse modelo e expandi-lo a vários concelhos do país, com soluções mais ajustadas às necessidades dos jovens. “Há pouca habitação feita para os jovens”, defendeu, apontando para a predominância de tipologias maiores no mercado e defendendo uma aposta em casas mais pequenas e soluções flexíveis.

O modelo cooperativo permite reduzir custos por não ter fins lucrativos, mas depende de um fator essencial: o acesso a terrenos. “Precisamos de apoios do Estado e dos municípios”, sublinhou, defendendo que a cedência de terrenos pode tornar os projetos viáveis e baixar o preço final das casas.

Projetos genuínos

Ainda assim, deixa um alerta sobre o próprio mercado: há empresas que se apresentam como cooperativas sem o serem, o que pode induzir em erro quem procura soluções mais acessíveis. Para José Arruda é essencial garantir transparência e distinguir projetos genuínos de iniciativas com fins lucrativos.

Quanto às políticas públicas, considera que, apesar de alguma “aparente facilidade”, a realidade continua distante para a maioria, sobretudo em zonas com maior pressão imobiliária e turística.

Para além da construção, defende uma aposta mais forte na reabilitação urbana, sobretudo nos centros históricos. “Há milhares de casas abandonadas e vazias”, afirmou, sugerindo que esses espaços poderiam ser recuperados e utilizados para habitação jovem ou residências de estudantes.

Num contexto em que o mercado e as políticas públicas continuam a falhar, o regresso das cooperativas surge como alternativa, mas também como sinal de que as soluções atuais continuam longe de dar resposta ao problema.

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