Em Avis, a água-mel regressa às mesas e o setor do azeite exporta milhões
Em Avis, há um produto antigo que está a regressar discretamente às mesas e outro, muito mais estruturado, que já exporta para vários mercados. Foi entre a recuperação da água-mel e a escala industrial do azeite que se fez um retrato claro do que hoje significa produzir no interior do país. Num dos paineis informativos do especial pela EN2 do Conta Lá, dois responsáveis mostraram as duas faces que marcam hoje aquele território.
Do lado da apicultura, o foco esteve na água-mel, um produto tradicional do sul do país que esteve durante anos praticamente esquecido. Agora, há um esforço de recuperação.
“A água-mel é típica do sul de Portugal, sobretudo do Alentejo e Algarve”, explicou Joaquim Pífano, técnico de apicultura da ADERAVIS, sublinhando que o produto “durante muitos anos praticamente desapareceu do consumo”. A ADERAVIS e outras associações têm trabalhado na sua revalorização e até na sua candidatura à Arca do Gosto, do movimento Slow Food, como forma de proteger património alimentar.
“Começa a aparecer novamente, começa a estar disponível”, referiu, destacando que o objetivo é trazer de volta um produto identitário da região sem perder a sua autenticidade.
Neste processo, a aposta não passa apenas pela produção, mas também pela preservação cultural e pela valorização económica de pequenos produtos locais que durante décadas ficaram confinados ao consumo doméstico. A água-mel, feita a partir de mel e frutos secos, é muitas vezes associada a tradições rurais antigas, o que reforça o seu valor identitário naquele território onde a gastronomia continua o centro da economia local.
Já no que toca ao azeite, a escala muda completamente. Francisco Pinheiro, da Cooperativa Agrícola de Ervedal e Figueira e Barros, apresentou uma cooperativa fundada em 1969 que hoje processa volumes muito elevados e investiu fortemente na modernização.
“Nos últimos 10 anos foram investidos cerca de 3 milhões de euros na cooperativa”, afirmou, explicando que hoje existem duas linhas de extração e produção de azeite biológico, certificado e convencional.
A Cooperativa de Ervedal e Figueira e Barros trabalha com mais de 300 produtores e recebe azeitona de toda a região. Os números impressionam, acumulando milhões de quilos de azeitona processados e cerca de um milhão e meio de litros de azeite produzidos.
Mas apesar da dimensão, o desafio mantém-se na comercialização: “A grande maioria do nosso azeite é vendido a granel”, explicou, com apenas uma parte a chegar ao consumidor final através de marcas próprias ou mercados externos como a Suíça.
Ainda assim, a aposta na certificação e na diversificação, incluindo azeite biológico e variedades diferenciadas, tem permitido abrir portas a mercados mais exigentes e reforçar a competitividade do produto.