Empresária Cláudia Azevedo alerta para desigualdades de género no Dia da Universidade de Coimbra
A empresária Cláudia Azevedo afirmou que as mulheres continuam a enfrentar desigualdades estruturais no mercado de trabalho, defendendo que Portugal cresce abaixo do seu potencial quando não mobiliza todo o talento.
A empresária Cláudia Azevedo considerou hoje que as mulheres continuam a enfrentar desigualdades no mercado de trabalho, salientando que um país que não mobiliza todo o talento cresce abaixo do potencial.
“Em Portugal, apesar dos progressos, as mulheres continuam a enfrentar desigualdades estruturais no mercado de trabalho: na participação, na remuneração e no acesso a posições de decisão. Quando olhamos para estes dados, não falamos apenas de direitos. Falamos de competitividade. Um país que não mobiliza todo o seu talento é um país que cresce abaixo do seu potencial”, afirmou.
A Universidade de Coimbra (UC) celebra hoje o seu 736.º aniversário, tendo entregado durante a tarde o Prémio UC a Cláudia Azevedo, presidente executiva da Sonae.
Durante a cerimónia de comemoração do Dia da Universidade de Coimbra, Cláudia Azevedo defendeu que contrariar a tendência “é uma responsabilidade partilhada”, que se resolve com “decisões, com políticas consistentes, com culturas de empresa exigentes e com escolhas concretas, repetidas todos os dias”.
A presidente executiva da Sonae salientou ainda que, num mundo em rápida transformação, o maior risco “é não mudar” e a “única constante hoje é a mudança”.
“E para nós, portugueses, cada transformação, cada nova tecnologia, cada novidade, não é um risco — é uma oportunidade de dar um salto em frente”, referiu.
Já o reitor da UC, Amílcar Falcão, elogiou “a coragem do Governo ao avançar” para a reforma do Ensino Superior, dizendo que, se está “de acordo quanto à necessidade de mudança”, tem “mais dúvidas quanto à metodologia adotada”.
“Na minha experiência acumulada como reitor e vice-reitor, que perfaz hoje exatamente 15 anos, posso afirmar, sem receio de estar a errar, que nos deparamos com demasiada legislação conflituante, ausência de regulamentações e espaços enormes onde podem grassar interpretações dúbias, já para não falar de injustiças flagrantes que mexem com a equidade, o mérito, e a vida das pessoas e das instituições”, afirmou.
No entender do reitor, “como recomeçar do zero não é possível nem seria desejável, a introdução de nova legislação ou a alteração da existente devem ser cuidadosamente trabalhadas”.
“E uma tal operação dá mesmo muito trabalho”, alegou, defendendo que “é preciso dialogar, dialogar muito”.
Na sua intervenção, Amílcar Falcão indicou que a UC continua a trabalhar para ver como pode apoiar estudantes que acolheu no início do conflito na Ucrânia, que, por não terem nacionalidade ucraniana, “o Governo decidiu” que lhes era retirado o estatuto de refugiados de guerra.
“Internamente, congelámos a matrícula, esperando que politicamente a situação se clarificasse com rapidez. Até hoje, não obstante os inúmeros pedidos de ajuda, continuamos sem orientações, embora continuemos a trabalhar afincadamente para ver como poderemos apoiar estes jovens. Uma situação verdadeiramente lastimosa!”, referiu.
No entender do reitor da UC, “este exemplo concreto não pode ser separado da extinção do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) e da criação da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo)”.
“A primeira funcionava mal. A segunda funciona pior. Esperemos que este exemplo não faça escola!”, alertou.
Sobre a laureada deste ano com o Prémio UC, Amílcar Falcão destacou que o seu percurso e a forma de liderança se cruza com a UC nos valores que defende e na sua visão empreendedora.
“A sua intervenção na promoção da inclusão, equidade, e paridade de género, tem sido a marca de água de uma liderança forte, mas discreta. A estes valores, podemos acrescentar a sua preocupação e compromisso com matérias ligadas à sustentabilidade, mostrando assim que se pode liderar um grande grupo económico, sem ceder nos valores fundamentais que enaltecem a sua grandeza enquanto ser humano”, indicou.