Filarmónica das Chãs festeja 130 anos com “ode à filarmonia” em Leiria

Dezoito filarmónicas de vários distritos atuam até novembro em Chãs, no concelho de Leiria, nas comemorações dos 130 anos da Sociedade Filarmónica do Sagrado Coração de Jesus e Maria, que avançam apesar dos danos causados pela Depressão Kristin.

Agência Lusa
Agência Lusa
28 fev. 2026, 15:50

Dezoito filarmónicas nacionais atuam entre hoje e o fim do ano na localidade de Chãs, em Leiria, no âmbito das comemorações dos 130 anos da banda local que pretendem ser “uma ode à filarmonia”, avança a organização.

A partir da noite deste sábado e até ao final de novembro, a Sociedade Filarmónica do Sagrado Coração de Jesus e Maria, também conhecida como Filarmónica das Chãs, promove o ciclo de concertos “perFilar”, que reúne as 11 bandas do concelho de Leiria e outras dos distritos de Coimbra, de Santarém, de Évora e de Lisboa.  

Apesar do impacto da depressão Kristin em Leiria, que também provocou graves danos nas Chãs, na freguesia de Regueira de Pontes, a Filarmónica decidiu manter a programação preparada para assinalar 130 anos.

“Estas comemorações foram programadas há meio ano e não contávamos com a tempestade Krsitin e com todo o abalo que teve na comunidade de Leiria”, afirmou à agência Lusa o diretor artístico, João Gaspar. 

Apesar dos múltiplos efeitos da calamidade, a filarmónica decidiu manter o plano, “porque acrescenta às bandas a possibilidade de manterem os seus objetivos e continuarem o seu trabalho”. 

“Temos de assegurar a normalidade da vida das pessoas, e assegurar que lhes damos esperança. Este plano de comemorações, se já era ambicioso, torna-se ainda mais ambicioso agora, porque estamos muito focados na missão de manter as pessoas conectadas”, frisou o diretor artístico.

Segundo João Gaspar, a intenção é lembrar participantes e público que “houve um desastre”, mas que há “um caminho para percorrer e mais história para construir. Na filarmónica, queremos construir mais 130 anos”. 

O também músico e maestro decidiu fazer da comemoração “uma ode à filarmonia”: “As filarmónicas são um fenómeno associativo em Portugal, uma marca mundial. Não é do nada que Portugal tem dos melhores instrumentistas, sobretudo de sopros, nas melhores orquestras do mundo”. 

Para o diretor artístico dos 130 anos da Filarmónica das Chãs, isso acontece porque há “grandes raízes e grande ensino da música em Portugal, através das filarmónicas”. 

“Só podemos manter as filarmónicas se elas tocarem, se aparecerem, se existirem nas nossas agendas. Por isso não podíamos alterar estas comemorações, tínhamos de as fazer”, frisou.

Nas Chãs, as bandas associadas a arraiais, festas religiosas e romarias, vão subir a palco e atuar num contexto diferente. 

“Queremos garantir que as filarmónicas possam sentir-se valorizadas e ter um espaço adequado para um trabalho diferente”, notou.

Na sala de espetáculos da banda local, “podem ser escutadas em silêncio, sem um ambiente perturbador” e, assim, “podem levar ainda mais ao limite o seu nível performativo e o nível dos seus músicos”. 

“Valorizar as filarmónicas e os filarmónicos é garantir que no futuro possam continuar a existir e é nisso que a Filarmónica de Chãs está empenhada”, frisou o organizador. 

A par do ciclo “perFilar” há uma exposição que recorda os 130 anos da banda local e a primeira edição das Jornadas Filarmónicas de Leiria. 

Intituladas “O coreto fala”, as jornadas realizam-se em maio e pretendem reunir académicos, músicos profissionais, mulheres filarmónicas mas, sobretudo, “pessoas que ainda conheceram os fundadores das bandas e que viveram uma filarmónica há 60, 70 anos”.

Da recolha desses testemunhos pretende-se fazer um livro que ajude a “compreender o passado para valorizar o presente e ser o motor para futuro”. 

O arranque da comemoração dos 130 anos da Filarmónica das Chãs começa hoje à noite, com a atuação da Sociedade Filarmónica Vestiariense "Monsenhor José Cacella", de Alcobaça. 

No domingo à tarde há mais dois concertos, pela Sociedade Filarmónica de Covões, de Coimbra, e a Sociedade Filarmónica Senhor dos Aflitos de Soutocico, de Leiria.