"Greve geral não trouxe nenhuma novidade, nenhuma solução" e "muitas famílias foram prejudicadas”, diz primeiro-ministro

Em reação à greve geral desta quarta-feira, o primeiro-ministro admite que o único resultado foram “muitas famílias prejudicadas”, sem mais novidades nem soluções. Luís Montenegro apela às estruturas sindicais que façam “uma reflexão” sobre as consequências destas paralisações. 
Ana Rita Cristovão
Ana Rita Cristovão Jornalista
03 jun. 2026, 17:29

Em declarações aos jornalistas, esta tarde, Luís Montenegro começou por reforçar a ideia transmitida ao início da manhã pela ministra do Trabalho.

“O que podemos constatar é que a esmagadora maioria dos portugueses quis trabalhar e está a trabalhar, nos seus locais de trabalho, à distância”, assumiu, referindo um setor privado sem “grande perturbação”, e uma administração pública com taxas de adesão a rondar os 23%.

Números que contrastam com o retrato de paralisações e manifestações por todo o país, mas que Luís Montenegro considera serem “um direito e não colocamos em causa minimamente o exercício desse direito”.

Admitindo ouvir “tudo aquilo que se diz e tudo o que são manifestações de posição vindas de todo o lado”, o primeiro-ministro assume porém que esta greve geral “não trouxe nenhuma novidade e também não trouxe nenhuma solução”.

Pelo contrário, Luís Montenegro assume mesmo que o resultado desta greve foi “mais uma vez, muitas famílias prejudicadas”.

“Não estou a colocar em causa o exercício do direito, estou a dizer que muitas das crianças que não tiveram os seus estabelecimentos de ensino abertos, muitos dos jovens que deixaram de prestar provas, muitos portugueses que tinham consultas e não conseguiram ver realizado esse ato (…) foram verdadeiramente os prejudicados por essa greve”, disse.

O primeiro-ministro deixou ainda uma mensagem à estruturas sindicais e ao país, para que se faça “uma reflexão sobre o propósito e as consequências destas jornadas de luta”.

“Eu não estou a dizer com isto que não possa haver capacidade reivindicativa, que deve haver. Apenas me parece, como cidadão e como primeiro-ministro, que todos temos uma responsabilidade e isso também integra as consequências dos nossos atos. A consequência desta greve, no final deste dia, parece-me que passou apenas por prejudicar a vida de muita gente”, sublinhou.

Com o documento do pacote laboral já entregue no Parlamento, Luís Montenegro refere que o momento é agora de discussão na Assembleia da República, mostrando porém abertura para "aprofundar e eventualmente modificar um ou outro ponto da proposta que seja suscetível de uma aproximação com as posições dos partidos na Assembleia".

“O Parlamento tem agora a possibilidade e responsabilidade de poder contribuir com as posições de todos os grupos parlamentares para enriquecer o texto que foi submetido, para podermos ter uma lei que dê maior competitividade e produtividade à economia portuguesa”, conclui.