Inteligência Artificial vai ser tão necessária "como a eletricidade"
Questionado sobre o impacto da inteligência artificial (IA) na sociedade, Carlos Manuel de Oliveira refere que "está a ser a todos os níveis", embora as pessoas por vezes não se apercebam disso.
"Há quantos anos é que o consumidor normal, a pessoa normal, lida com instrumentos, com inteligência artificial e não se apercebem", prossegue, referindo que a utilização da IA tem vindo a aumentar progressivamente.
Apesar de a inteligência artificial ser algo que se fala desde os anos 60, só a partir de 2023, com o surgimento do ChatGPT, modelo da OpenAI, é que começou a ter visibilidade.
Atualmente, "a inteligência artificial já tem um impacto muito grande em determinadas áreas, por exemplo, na área dos cuidados de saúde, medicina e engenharia genética", aponta o investigador.
"Se calhar as pessoas também não sabem, mas não se teria conseguido obter uma vacina para a covid-19 em um ano - normalmente o novo medicamento ou a nova vacina demora 10 anos em testes - se não tivesse havido inteligência artificial", exemplifica.
Portanto, "foram com técnicas de inteligência artificial que se conseguiu a vacina".
Neste momento, "já se consegue que, por exemplo, através de aparelhos, de microchips, pessoas tetraplégicas, que não têm sequer capacidade de se expressar, movimentar equipamentos exteriores, fazer um jogo, só com o pensamento", aponta.
Isto é algo "que não se imaginaria há uns anos", acrescenta.
"Estou a falar de exemplos concretos atuais, não estou a falar de futurismo", enfatiza o investigador em IA e fundador da Humantech.
Também dá o exemplo do uso da IA na área da imagiologia, em que já se utilizam técnicas de inteligência artificial para interpretar este tipo de exames, como também a área financeira, em que "as novas empresas tecnológicas" usam a tecnologia "para fazer análise de risco dos clientes, para fazer projeções de risco para o futuro".
Outro dos exemplos foi a agricultura, em que "alguns países africanos já utilizam técnicas" de rega, de avaliação do solo, e robótica e drones.
A educação e investigação é também outra das áreas onde a IA é usada: "já se utiliza muito para a conceção de programas educativos e de treino personalizados em função não só das características da pessoa, mas das próprias características de aprendizagem que a pessoa tem".
Na parte da investigação, "a sintetização de papers, de documentos, hoje em dia é tudo mais facilitado. Nós conseguimos ter um acesso, quando estamos a investigar, à produção intelectual de décadas, sintetizadas em pequenos textos", exemplifica Carlos Manuel de Oliveira.
A IA "incontornável" para a sociedade. A inteligência artificial "vai estar daqui a 5 anos, talvez 10, a ser falada como a eletricidade, hoje em dia não se vive sem eletricidade", salienta.
A IA passa a estar "imbuída em tudo aquilo que nós, enquanto pessoas, enquanto sociedade, enquanto profissionais, fazemos", enfatiza, referindo que vê isso "pela positiva".
O problema da inteligência artificial "é que tem uma evolução tão exponencial que a sociedade vai ter alguma dificuldade em readaptação".
Essa readaptação "vai ser complicada" para quem esteja longe destas técnicas.
Segundo o responsável, vão surgir novas profissões e novas capacidades vão também ser despertadas.
"Em última análise, acredito que o imbuir de toda a atividade produtiva por inteligência artificial vai gerar um aumento de produtividade" que possibilitará as empresas a pagarem mais às pessoas e terem mais tempo livre, remata.