Investigador descobre planta que só existe em Almada

O investigador João Farminhão, da Universidade de Coimbra, descobriu uma espécie de planta que só existe nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada.

Agência Lusa
Agência Lusa Jornalista 23 Jan. 2026, 12:15
Investigador descobre planta que só existe em Almada

O investigador João Farminhão, da Universidade de Coimbra, descobriu uma espécie de planta que só existe nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada. Nomeada de Linaria almadensis, a planta junta-se às cerca de 90 espécies que só existem em Portugal continental. 23 jan. 2026, 12:15 A planta está em ameaça de extinção. (Facebook/João Farminhão)

O investigador da Universidade de Coimbra (UC) João Farminhão descobriu uma nova espécie de planta que, em todo o mundo, só existe nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada, em frente a Lisboa.

Intitulada Linaria almadensis, a planta foi colhida pela primeira vez em 1843, mas só agora, no âmbito de uma revisão taxonómica, foi reconhecida e descrita na Botany Letters, explicou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), num comunicado enviado hoje à agência Lusa.

O exemplar que serviu de referência à descrição desta nova espécie encontra-se guardado no Herbário da UC, a maior coleção botânica do país.

“O material foi colhido aos pés do Cristo-Rei e em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, ocorrendo, exclusivamente, em paredões e terraços da arriba arenosos, na proximidade de rochas calcárias”, explicou o investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da FCTUC.

De acordo com João Farminhão, esta espécie distingue-se de outras “com as quais tinha sido anteriormente confundida” pelas folhas e pela coloração da corola, “com as pétalas superiores de um branco-amarelado, o palato amarelo-alaranjado e o esporão frequentemente tingido de violeta”.

O especialista do Laboratório Associado Terra alertou ainda que “a espécie foi avaliada com a categoria Criticamente em Perigo, que é o nível de ameaça de extinção mais grave”.

São conhecidas “apenas poucas dezenas de indivíduos, carecendo o seu ‘habitat’ de medidas urgentes de conservação”, explicou.

Para a FCTUC, a descoberta demonstra o nível de desconhecimento sobre a biodiversidade portuguesa, mesmo em grupos relativamente bem conhecidos, como são as plantas vasculares, e mesmo em lugares tão próximos dos centros de conhecimento, como são as arribas ribeirinhas de Almada.

“A sua identificação coincide com a descoberta de uma nova área de endemismo vegetal, o que ajuda os especialistas a compreender a formação de novas espécies no litoral ocidental da Península Ibérica, em estreita dependência com a geologia e geomorfologia”, acrescentou a instituição de ensino superior.

João Farminhão deu ainda destaque à necessidade urgente de controlar a expansão de espécies invasores, evidenciando que “a Linaria almadensis junta-se às cerca de 90 espécies de plantas que, em todo o mundo, só existem em Portugal Continental, cuja conservação depende de todos”.

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