“Lua cheia da terra”: o lobo-ibérico no centro de um evento que cruza arte, ciência e comunidade em aldeia de Vila Real

O evento tem como ponto de partida o espetáculo “Loba”, criado no ano passado pela Peripécia Teatro e que explorou a problemática do lobo-ibérico nas suas dimensões ambiental, política e social. O programa prevê ainda documentários e passeios pelo território.
Agência Lusa
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24 mai. 2026, 07:00

“Lua cheia da terra” é um evento que tem como tema central o lobo-ibérico e cruza a arte, ciência e comunidade entre 26 e 30 de maio, em Benagouro, aldeia de Vila Real, anunciou a companhia Peripécia Teatro.

A companhia de teatro disse, em comunicado, que “durante cinco dias, o lobo deixa de ser apenas uma ideia distante e passa a ser o motivo para um encontro de ideias e artes”.

Explicou que o lobo-ibérico é o tema central da primeira edição do projeto “Lua cheia da terra”, que se insere na Semana da Biodiversidade e se realiza em colaboração com o município de Vila Real e a parceria da Junta de Freguesia de Adoufe e Vilarinho da Samardã.

O evento teve como ponto de partida o espetáculo “Loba”, criado no ano passado pela Peripécia Teatro e que explorou a problemática do lobo-ibérico nas suas dimensões ambiental, política e social.

“Reunimos tanta informação, através do contacto com cientistas, autores e documentários, que sentimos que era importante partilhá-la de forma mais direta com o público. Foi assim que surgiu a ideia de criar este evento”, explicou o diretor artístico da Peripécia, Sérgio Agostinho, citado no comunicado.

A iniciativa inclui o regresso de “Loba” ao palco, documentários, conversas com especialistas que se dedicam ao estudo desta espécie protegida, mas haverá também um tatuador residente que convidará o público a “fixar o lobo no corpo”.

O programa prevê ainda passeios pelo território, através dos quais os participantes serão desafiados a observar, escutar e reconhecer sinais de forma a perceber que o lobo nem sempre se vê, mas pode estar presente.

“‘Lua cheia da terra’ é um encontro entre arte, ciência e comunidade. O projeto nasce da vontade de prolongar e aprofundar o diálogo entre criação artística e consciência ecológica, transformando-o num momento anual de celebração da vida natural”, acrescentou Sérgio Agostinho.

Para a Peripécia, o lobo-ibérico “é um símbolo poderoso da relação entre o humano e o selvagem, entre o equilíbrio ecológico e o imaginário ancestral”.

“Durante cinco dias, o lobo deixa de ser apenas uma ideia distante e passa a ser o motivo para um encontro de ideias e artes”, realçou ainda a companhia de teatro.

O Censo Nacional do Lobo (2019–2021) revelou uma tendência negativa, com uma redução de 23% na área de presença e de 8% no número de alcateias (para as 58), em comparação com o último censo realizado em 2002-2003.

De acordo com os dados divulgados em 2024, no Alvão, registou-se uma diminuição do número estimado de alcateias superior a 50% (das 13 para as seis).

A maioria das alcateias encontra-se a norte do rio Douro, distribuídas por três núcleos populacionais (Peneda/Gerês, Alvão/Padrela e Bragança).

A Peripécia Teatro foi fundada em 2004 e, em 2007, estabeleceu-se em Vila Real, contando no seu repertório com peças como "Vincent, Van e Gogh", "Sou do Tamanho do que Vejo", "Novecentos. O Pianista do Oceano", "Mamã?!", "1325", "Ensaio dos abutres" e, mais recentemente, “Loba”, que chama a atenção para esta espécie protegida.