Movimento de aves aquáticas pode propagar gripe das aves

Uma investigação da Escola Superior Agrária do Politécnico de Coimbra mostra que a propagação do vírus da gripe aviária se acentua devido ao movimento das aves aquáticas, como garças, patos ou flamingos. A descoberta vem auxiliar na previsão de surtos e em possíveis intervenções para prevenir o contágio.




 
Agência Lusa
Agência Lusa
03 fev. 2026, 15:11

O artigo científico “apresenta os resultados de uma investigação centrada nas ligações entre o ambiente, o movimento animal e a dinâmica das doenças infecciosas nas aves aquáticas”, refere a ESAC em comunicado, destacando que estes animais estão "entre os principais hospedeiros selvagens dos vírus da gripe aviária”.

Os resultados sugerem que as condições ambientais influenciam os movimentos das aves e, consequentemente, acabam por contribuir para a propagação da doença.

“As distâncias previstas de movimento das aves aquáticas apresentaram uma correlação fraca, mas positiva, com as distâncias entre as deteções da gripe aviária H5N1, altamente patogénica em aves aquáticas selvagens”, afirmou aquela instituição de ensino superior.

Isto sugere “que as condições ambientais podem contribuir efetivamente para a propagação desta doença, através dos seus efeitos sobre os movimentos das aves”.

Os resultados demonstraram ainda que as aves aquáticas se movimentavam menos em áreas com maior heterogeneidade do solo e onde há maior presença humana.

Os cientistas basearam-se “no pressuposto de que os movimentos dos animais contribuem para a propagação de doenças infecciosas e são impulsionados, em parte, pelas condições ambientais”.

Assim, “o vasto conjunto de investigadores combinou dados de telemetria de 4.606 indivíduos, de 26 espécies de aves aquáticas, com os dados sobre a cobertura do solo, clima e vegetação”.

O trabalho, “ao considerar os movimentos da vida selvagem juntamente com outros fatores que impulsionam a dinâmica das doenças infecciosas, tais como a produção pecuária e a mobilidade humana, vem funcionar como instrumento de auxílio na previsão de surtos e na definição de intervenções para prevenção de contágio”.