Obras de reparação na A1 já começaram, mas ainda sem prazo de conclusão
As obras de reparação do troço da Autoestrada 1 (A1), que desabou na quarta-feira após rebentamento de um dique no rio Mondego, em Coimbra, estão em curso, mas ainda sem previsão de conclusão, informou esta quita-feira a Brisa.
“Não é possível, para já, estimar o prazo de conclusão das obras de reparação”, indicou a BCR - Brisa Concessão Rodoviária, em comunicado.
Em causa está a interrupção de um troço da A1 (autoestrada que liga Lisboa e o Porto) junto ao nó de Coimbra Sul, entre os quilómetros 198 e 189, onde a circulação rodoviária se encontra cortada em ambos os sentidos desde pouco depois das 18h00 de quarta-feira, na sequência da rutura de um dique na margem direita no rio Mondego.
“As vias alternativas para os utilizadores da A1 mantém-se o corredor A8/A17/A25 ou o IC2”, realçou.
Segundo a concessionária Brisa, os trabalhos de estabilização do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego, na A1, estão já em curso e materializam-se em duas fases, a primeira focada no sentido Norte-Sul e a segunda focada no sentido Sul-Norte.
“A prioridade passa, atualmente, pela implementação de medidas que impeçam o agravamento dos danos nas duas faixas de rodagem”, adiantou a empresa.
A empreitada em curso, segundo a Brisa, consiste na utilização de material rochoso para “suster a erosão da infraestrutura (enrocamento) no sentido Norte-Sul”, tendo sido mobilizados para o local, até ao momento, mais de três dezenas de camiões, um camião-grua, um camião porta-máquinas, um buldozer e duas escavadoras.
Além disso, estão no terreno mais de 70 profissionais, adiantou a concessionária, acrescentando que a nível nacional estão mobilizadas todas as equipas Brisa especializadas nas áreas de gestão e operação de infraestruturas.
A empresa referiu ainda que os trabalhos estão a ser acompanhados por equipas técnicas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e do Ministério das Infraestruturas e Habitação.
“A segunda fase dos trabalhos visará estabilizar os solos sob a laje de transição, no sentido Sul-Norte, de forma a repor as condições da plataforma”, informou a Brisa.
Neste âmbito, a Brisa reforçou que está a trabalhar em estreita articulação com o Ministério das Infraestruturas e Habitação, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, a Guarda Nacional Republicana, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, a Agência Portuguesa do Ambiente e o LNEC.
A rutura do troço da A1 junto ao nó de Coimbra Sul foi motivada pelo rebentamento do dique e “subsequente escavação dos solos do aterro, devido ao débito excecional de água no rio Mondego, na região de Coimbra”, de acordo com a Brisa.
Câmara de Coimbra aconselha corredor A8/A17/A25 como alternativa à A1
A Câmara de Coimbra recomendou esta quinta-feira que o corredor das autoestradas A8/A17/A25 seja usado como principal alternativa à A1, que ficou totalmente cortada na quarta-feira entre Coimbra Norte e Coimbra Sul.
A A1 foi cortada pouco depois das 18h00 de quarta-feira, após a rutura de um dique do rio Mondego, nos Casais, que teve como consequência o abatimento da via ao quilómetro 191.
Em comunicado, a autarquia referiu que, apesar de o Itinerário Complementar (IC) 2 também ser “uma solução possível”, não é a que recomenda.
“A autarquia desaconselha a sua utilização como corredor estruturante de atravessamento nacional, remetendo-a para deslocações intermédias entre Aveiro e Pombal, sobretudo nas horas de ponta, o que já esta quinta-feira de manhã se traduziu em elevado volume de tráfego”, justificou.
A Câmara de Coimbra lembrou ainda a necessidade de os condutores usarem sistemas de navegação GPS atualizados, que já têm “as informações relativas aos cortes e percursos alternativos”.
No que respeita ao tráfego proveniente de sul de Pombal com destino a norte de Aveiro, recomendou “a saída em Pombal para o IC8, seguindo pela A17 até Aveiro e retomando a A1 através da A25, no nó de Aveiro Norte (com percurso idêntico no sentido inverso)”.
“O tráfego proveniente da A13 ou do IC8 (Castelo Branco) deverá optar prioritariamente pelo IC8 na zona do Avelar em direção a Pombal, entrando na A17 no nó do Louriçal e seguindo até Aveiro, com ligação à A1 pela A25, evitando a aproximação à área urbana de Coimbra”, acrescentou.
Já para o trânsito proveniente de zonas a sul do concelho de Penela, o município aconselhou “evitar a transferência da A13 para Coimbra, seja em direção a Ceira, seja em direção à A1 através da A13-1, a partir de Almalaguês, prevenindo constrangimentos no atravessamento urbano da cidade”.
No caso do trânsito proveniente da A25 com destino a sul de Pombal, “deve evitar-se o IP3 em direção a Coimbra”, sendo a recomendação “manter a circulação na A25 até Aveiro, seguir pela A17 até ao Louriçal e aceder à A1 através do IC8”.
O IC2 “deverá ser considerado apenas para deslocações com destino intermédio entre Aveiro e Pombal, não sendo recomendado como corredor estruturante de atravessamento nacional, sobretudo nas horas de ponta”, avisou.
Segundo a Câmara, esta quinta-feira de manhã registaram-se “vários quilómetros de fila nas vias urbanas e acessos à cidade de Coimbra, já habitualmente pressionados, devido à utilização como desvio da autoestrada e a constrangimentos adicionais em algumas estradas nacionais afetadas por inundações”.
Na noite de quarta-feira, abateu parte da plataforma da A1 ao quilómetro 191, na zona de acesso ao viaduto C do Mondego, o que “não representou risco para utilizadores, uma vez que o sublanço entre os quilómetros 198 e 189 tinha sido encerrado preventivamente em ambos os sentidos”.
De acordo com a Brisa Concessão Rodoviária, “a rutura resultou do rebentamento do dique e da subsequente escavação do aterro que suporta a via, associada a um débito excecional superior a 2.100 metros cúbicos por segundo”.
“A concessionária informou que acompanha a situação desde 02 de fevereiro, com monitorização permanente, mantendo no terreno mais de 30 operacionais em articulação com as autoridades”, referiu a autarquia.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, já admitiu que serão precisas várias semanas para reparar este troço da A1.