Parque Natural de Montesinho não pode ser apenas um museu para "observar ao longe as dinâmicas que ocorrem"
É uma nova era que se avizinha numa das principais reservas naturais do território português. O Parque Natural de Montesinho vai receber o maior investimento de sempre de forma a reforçar a sustentabilidade da área protegida e escalar para um modelo de gestão alinhado com uma perspetiva que alie a preservenção ambiental, a investigação ciêntifica e a coesão social.
São mais de seis milhões de euros distribuídos por 13 projetos a serem financiados pelo fundo ambiental do programa comunitário Norte 2030, com foco no estímulo ao turismo sustentável e de natureza, na melhoria da sinalização no parque, dos percursos pedestres, e da preservação da fauna silvestre do parque partilhado entre Bragança e Vinhais, no coração de Trás-os-Montes.
A evolução estrutural em defesa do futuro do parque foi justificada pela presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, com a oportunidade aproveitar "políticas públicas orientadas para as áreas protegidas" e "canalizar fundos europeus para territorios que contribuam para as metas de neutralidade carbónica". Em declarações à jornalista Estela Machado na rubrica Objetiva, do programa Juca, a autarca explicou que "a presença de pessoas, de atividade, é essencial para que estas populações sintam que o investimento que fazem para proteger" a sustentabilidade "é compensado"
Algo fundamental quando falamos de uma "reserva mundial da biosfera" que, reforça, só pode ser "preservada com a presença de pessoas com atividades socieconómicas". Ou não fosse essa a "grande mais valia destas zonas protegidas". Por isso o investimento visa "essencialmente a conservação da biodiversidade tão única" do Parque Natural de Montesinho em conjugação com o estímulo do turismo sustentável e de projetos que valorizem o território.
Todos os pontos do país e do mundo
Entre os planos, encontram-se "a intervenção em infraestruturas verdes e ribeirinhas", a "aposta em centros interpretativos dedicados à fauna silvestre como o lobo ibérico, gato bravo, ou o javali," entre outros, num alógica de "abordagens integrada". Desta forma, acrescenta Isabel Ferreira, os operadores nesta zona "são os primeiros a saber as premissas que têm que proteger para atrair visitantes" para esta área protegida. É neste equilíbrio que a equipa de cogestão [do parque] trabalha", garante.
"Estes territórios não são apenas museus onde se pode observar ao longe as dinâmicas que ocorrem", aponta, mas zonas vivas em que as ocorrências naturais são motivo de reunião e atração popular. É o caso do eclipse solar projetado para 12 de agosto deste ano, que só poderá ser visto na sua plenitude precisamente na região, com destaque para a aldeia de Guadramil. "Receberemos pessoas de todos os pontos do país e do mundo", acredita a presidente, com a certeza que os alojamentos turísticos já se encontram totalmente esgotados para a data e a procura por parques de campismo segue intensa.
Refira-se que o último evento do género foi em 1912, e o próximo só volta a acontecer em 2144. Dada a importância da ocasião, Isabel Ferreira adianta que "o município de Bragança está a colaborar com Ciência Viva" e outros operadores para que o evento "seja uma marca" impactante, até porque "só daqui a muitos anos voltaremos a ter uma oportunidade destas". Por isso, haverá "reforço de meios de segurança, transporte e atividades diversas". Em suma, oportunidade "para desenvolver todo um programa para as pessoas que queiram conhecer melhor o nosso território".