Projeto “Mulheres Rurais em Rede” quer dar voz e escala às iniciativas femininas no Interior
A associação Rural Move lançou o projeto “Mulheres Rurais em Rede”, uma iniciativa nacional que pretende valorizar, capacitar e dar visibilidade ao papel das mulheres nos territórios de baixa densidade, no âmbito do Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026.
O projeto arrancou oficialmente na semana passada, com um webinar público de lançamento que reuniu 30 mulheres de diferentes regiões do país, que formarão parte de um processo colaborativo até outubro. O objetivo é identificar desafios, promover a partilha de experiências e desenvolver soluções com impacto social e económico nas comunidades rurais.
No desenvolvimento deste projeto que pensa nas mulheres do campo, estão também mulheres. Freya Van Dien, Inês Cunha, Claire Camus e Ana Sutil estão a cargo da gestão e exposição do “Mulheres Rurais em Rede”.
Segundo João Almeida, coordenador da Rural Move, a iniciativa nasce de um trabalho contínuo da associação na dinamização dos territórios do interior. “A nossa missão é a humanização dos territórios rurais e o apoio a novos residentes. Ao longo dos últimos anos, fomos construindo uma rede com mais de 30 territórios e 75 parceiros, desenvolvendo projetos nas áreas da inovação social, empreendedorismo e integração”, explica.
A ideia para este projeto surgiu após a participação da associação numa conferência internacional sobre o tema das mulheres rurais. “Percebemos a necessidade de criar uma rede que valorize o papel destas mulheres e que promova a ligação entre elas”, refere.
Rede nacional para responder a desafios persistentes
Apesar do papel central que desempenham, desde a liderança de negócios à dinamização de iniciativas locais, as mulheres rurais continuam a enfrentar obstáculos significativos. Entre os principais desafios estão o acesso limitado a financiamento, a falta de reconhecimento e a escassez de redes de apoio.
A estes fatores somam-se questões estruturais dos territórios do interior, como o despovoamento e a falta de serviços. “Há uma realidade dura: muitas aldeias ficam vazias após a perda das gerações mais velhas. Para fixar pessoas, é preciso garantir condições como escolas, saúde e oportunidades económicas”, sublinha João Almeida.
Ainda assim, o responsável destaca uma tendência crescente de inovação protagonizada por mulheres. “Temos visto muitas mulheres a liderar projetos que cruzam áreas como agricultura, turismo, sustentabilidade ou inovação social. Muitas vezes conciliam várias atividades, mas esse trabalho nem sempre é visível ou valorizado.”
Diversidade e colaboração como pilares
As 30 participantes foram selecionadas com base na diversidade de perfis e territórios, incluindo agricultoras, investigadoras, artistas, líderes associativas e mulheres ligadas à política. Parte das participantes já integra redes da Rural Move, tendo sido também identificadas novas líderes através de um processo colaborativo.
Ao longo dos próximos meses, o grupo irá participar em sessões de trabalho online e presenciais com foco na identificação de problemas e no desenvolvimento de soluções concretas.
O percurso culmina nas Jornadas de Mulheres Rurais, a decorrer em Armamar, nos dias 15 e 16 de outubro, coincidindo com o Dia Internacional da Mulher Rural (15 de outubro), onde serão apresentadas as conclusões e iniciativas desenvolvidas.