"Ruas que falam” assinala Campo Maria Vitória como espaço histórico de Moura

O antigo Campo de Futebol Maria Vitória é celebrado esta quarta-feira, 28 de janeiro, em Moura, no âmbito do programa municipal “Ruas que falam”, que valoriza espaços marcantes da história e identidade local.
Rui Mendes Morais
Rui Mendes Morais Jornalista
28 jan. 2026, 08:00

Partilhou a bola com amigos, marcou inúmeros golos e assumiu, a certa altura, a responsabilidade de liderar o balneário como capitão de equipa. Aos 76 anos, Francisco Cravo vê agora o espaço que tantas vezes pisou ser celebrado como um pilar da identidade de Moura, no distrito de Beja, esta quarta-feira, 28 de janeiro. A homenagem surge no âmbito do programa “Ruas que falam”, que valoriza as memórias e as histórias dos cidadãos da região.

O local distinguido é o antigo Campo de Futebol Maria Vitória, onde jogou pelo Moura Atlético Clube, um espaço de enorme valor simbólico que, durante décadas, foi o coração do desporto e do convívio social de várias gerações de mourenses e que agora é um espaço comercial. Inaugurado em 1926, o campo situa-se numa área anteriormente conhecida como nitreira, e recebeu o nome das madrinhas que inauguraram o clube desportivo: Maria Manuela Rego Chaves e Vitória Camacho Lúcio. 

A homenagem integra a terceira edição do programa “Ruas que falam”, promovido pelo Município de Moura, que tem como missão principal divulgar a história das ruas da cidade, explorando a origem dos nomes e as histórias e curiosidades que enriquecem estes locais. José Pereira, responsável pela iniciativa, explica ao Conta Lá que “Moura estava a precisar de recuperar a memória e a memória só pode ser contada pelos que cá estão”.

A iniciativa que vai já na terceira edição, celebra todos os meses uma rua ou espaços da cidade, apostando na transmissão de vivências, evitando que se percam com o tempo. O ex-jogador do Moura Atlético Clube, Francisco Cravo, chegou a Moura em 1973 e recorda os 40.000 habitantes que a localidade perdeu em apenas 10 anos, destacando a importância de iniciativas como esta. 

"Ruas que falam” assinala Campo Maria Vitória como espaço histórico de Moura

 

Porque é que o Campo Maria Vitória foi importante?

Embora hoje já não sirva o mesmo propósito agregador, o Campo Maria Vitória, continua vivo na memória coletiva. Francisco Cravo, que também foi treinador e presidente da assembleia geral do clube, recorda com nostalgia o simbolismo das cores amarela e preta que vestiu entre 1974 e 1986, acrescentando que “eram centenas de pessoas que ali passavam" naquela que "era conhecida como a rua do jogo". 

O futebol uniu gerações e aproximou a comunidade, com um dos momentos mais altos do recinto a ser vivido em 1987, ano em que o Moura Atlético Clube teve uma histórica receção ao Futebol Clube do Porto, para a Taça de Portugal. Nesse dia, o relvado de Moura foi pisado por lendas como Zé Beto, Jaime Pacheco e João Pinto, num evento que ainda hoje é recordado com orgulho pelos habitantes.

Para o responsável do projeto, José Pereira, celebrar o antigo estádio é precisamente recordar as histórias comuns entre os cidadãos, sustentando uma ligação emocional com o passado e o presente de Moura. A iniciativa prossegue nos próximos meses, com novas homenagens a ruas e espaços da cidade, mantendo o objetivo de documentar e dar a conhecer os testemunhos da cidade, envolvendo a participação de antigos residentes, associações locais e investigadores da história local.