“Se não tivermos dinheiro, como é que saímos com a viatura?”: bombeiros admitem falhas no socorro devido ao preço dos combustíveis
Em declarações à jornalista Estela Machado, na rubrica Objetiva, do programa Juca, o presidente da Federação dos Bombeiros do Algarve, Steven Sousa Piedade,...
Em declarações à jornalista Estela Machado, na rubrica Objetiva, do programa Juca, o presidente da Federação dos Bombeiros do Algarve, Steven Sousa Piedade, alertou que o aumento dos preços dos combustíveis está a pressionar as corporações. 08 abr. 2026, 12:00 Steven Sousa Piedade falou sobre o impacto da subida dos preços dos combustíveis
O aumento dos preços dos combustíveis está a colocar as corporações de bombeiros sob forte pressão financeira e pode comprometer o socorro às populações nos próximos meses. O alerta é do presidente da Federação dos Bombeiros do Algarve, Steven Sousa Piedade, que admitiu um “sufoco financeiro muito grande” nas associações.
Em declarações à jornalista Estela Machado, na rubrica Objetiva, do programa Juca, o dirigente explicou que a subida dos preços – cerca de 50 cêntimos por litro desde o início da escalada – está a agravar os encargos semana após semana, sem que os apoios acompanhem esse aumento.
Segundo os cálculos apresentados, uma corporação com consumo médio de quatro mil litros de combustível por mês enfrenta um acréscimo de custos na ordem dos dois mil euros mensais. Ainda assim, o apoio anunciado pelo Governo, equivalente a cerca de 10 cêntimos por litro, “vai dar para dois ou três dias”, ficando o restante encargo a cargo das associações.
O impacto estende-se a toda a operação. “Estamos a falar de tudo”, sublinhou, referindo-se tanto ao transporte de doentes como ao combate a incêndios. No Algarve, as longas distâncias agravam o problema, com ambulâncias a percorrerem frequentemente cerca de 150 quilómetros numa única missão, aumentando significativamente o consumo de combustível.
Com a aproximação da época crítica de incêndios, a preocupação intensifica-se. “Não sei se terei o pacote financeiro para poder abastecer as viaturas”, admitiu Steven Sousa Piedade, lembrando que o custo de abastecimento disparou nos últimos meses – um veículo pesado passou de cerca de 120 para mais de 200 euros por depósito, enquanto uma ambulância subiu de 90 para cerca de 130 euros. “Está a deixar de ser suportável.”
Perante este cenário, o responsável deixou um aviso direto: “Se não tivermos realmente dinheiro para abastecer, como é que saímos com a viatura?” – uma questão que, admite, pode deixar de ser teórica num contexto de custos crescentes.
Medidas imediatas
A federação já apresentou ao Governo um conjunto de propostas, defendendo medidas imediatas como a redução do IVA para 6% e a descida do imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP), à semelhança do que acontece em Espanha. Para Steven Sousa Piedade, mais do que reduzir encargos, está em causa a continuidade do serviço: “Temos, acima de tudo, de manter o socorro à população”.
O dirigente admitiu aguardar uma resposta do Governo nos próximos dias, depois de já ter sido dado “um sinal positivo” quanto à possibilidade de redução do ISP, mas defende que os bombeiros devem ser tratados como prioridade, à semelhança de outros setores que já beneficiam de apoios específicos.
Além da pressão imediata dos combustíveis, alertou ainda para problemas estruturais que persistem no setor, como o envelhecimento das viaturas. “Há carros a combater fogos com 40 anos”, referiu, sublinhando os riscos para operacionais e populações.
Num cenário de custos crescentes e meios limitados, o aviso é claro: sem reforço de apoios, a capacidade de resposta pode ficar comprometida e o impacto fará sentir-se diretamente no terreno, junto de quem depende do socorro.
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