Soluções de mobilidade e reciclagem podem substituir mineração agressiva, aponta Greenpeace
Um relatório da Greenpeace International indica que as metas climáticas podem ser atingidas sem aumentar a exploração de minerais críticos, como lítio ou...
Um relatório da Greenpeace International indica que as metas climáticas podem ser atingidas sem aumentar a exploração de minerais críticos, como lítio ou cobalto. Entre as soluções apontadas estão transportes públicos mais eficientes, baterias menos dependentes de minerais e programas de reciclagem. 16 mar. 2026, 16:48 Estudo mostra que inovação, reciclagem e mobilidade sustentável reduzem necessidade de mineração intensiva para metas climáticas
As metas climáticas podem ser atingidas travando a corrida aos “minerais críticos”, indica um relatório divulgado, esta segunda-feira, que aponta como soluções os transportes públicos, melhores programas de reciclagem e tecnologias mais avançadas de baterias.
Estas soluções são apresentadas como cruciais para limitar a procura de minerais para uma transição verde no relatório “Beyond Extraction: Pathways for a 1.5ºC – aligned Energy Transition with Less Minerals”, divulgado esta segunda-feira em comunicado pela organização ambientalista Greenpeace International.
Feito por académicos do “Institute for Sustainable Futures”, da Universidade de Tecnologia de Sidney, na Austrália, o estudo usou diferentes cenários energéticos compatíveis com a meta de 1,5 ºC de aumento das temperaturas globais face às registadas antes da época industrial (aprovada em 2015 pelo Acordo de Paris).
Explorando várias hipóteses de utilização eficiente e suficiente dos recursos minerais, o documento mostra como os recursos minerais da Terra podem ser geridos para uma transformação limpa e renovável do sistema energético, e ao mesmo tempo protegendo os sistemas de suporte da vida no planeta da mineração, seja em terra ou no mar profundo.
Os autores do documento sustentam, com base na análise feita, que não é preciso explorar áreas interditas à mineração, como o oceano global ou as áreas terrestres protegidas, para se fazer uma “transição energética ambiciosa”.
E recomendam o investimento em sistemas de mobilidade partilhada e em automóveis mais pequenos e eficientes, o incentivo à substituição da tecnologia das baterias por alternativas que exijam menos lítio, cobalto ou níquel, “projetar para a circularidade e alargar a reciclagem”, e proteger áreas importantes do desenvolvimento mineiro.
Foi calculada a necessidade de recursos para nove minerais: cobre, cobalto, grafite, disprósio, lítio, manganês, neodímio, níquel e vanádio.
Sven Teske, autor do relatório, afirmou, citado no comunicado: “Esta investigação mostra como políticas sólidas e tecnologias inovadoras podem limitar a procura de minerais numa transição energética alinhada com 1,5 ºC. Concretizar esse potencial exige, no entanto, liderança política responsável e ação decisiva já hoje”.
Também citada, Elsa Lee, copresidente da área de Biodiversidade da Greenpeace International, alerta que a mineração traz frequentemente destruição ambiental e danos sociais.
E Ana Farias Fonseca, coordenadora de campanhas e mobilização da Greenpeace Portugal, aponta que o relatório evidencia cientificamente o que a organização sempre defendeu, que é uma “falácia perigosa” dizer-se que a mineração em mar profundo é um “mal necessário” para a transição energética.
No relatório recomenda-se que os decisores políticos devem dar prioridade ao uso de minerais para fins essenciais da transição energética. E reforça-se a importância de uma ação coordenada para proteger as pessoas e a natureza, e para alcançar os objetivos climáticos.
Num artigo conjunto da Greenpeace de Portugal e de Espanha, os responsáveis das organizações, Toni Roseiro e Eva Saldaña, respetivamente, enfatizaram a importância da cooperação numa resposta ibérica à emergência climática.
A propósito da 36.ª Cimeira Luso-espanhola, em Huelva no passado dia 6, e na qual se assinou uma “aliança pela segurança climática”, a Greenpeace usou a frase “cooperar para sobreviver” ao elogiar a iniciativa da cimeira.
“As políticas de cooperação são a ferramenta mais poderosa para garantir a nossa sobrevivência”, salientaram os dois responsáveis.
“Na Greenpeace Espanha-Portugal valorizamos este passo como um reflexo daquilo que exigimos há anos: a necessidade de pactos e acordos que ultrapassem fronteiras e cores políticas. A emergência climática não é uma questão de ideologias, mas de sobrevivência coletiva”, escreveram.
Tags relacionadas: Ambiente Greenpeace Poluição Sociedade
