“O Governo esqueceu-se da agricultura, mais uma vez”: CAP critica falta de atuação do Estado face aos problemas do setor

Num ano em que o país registou mais de 550 milhões de prejuízos na agricultura, devido ao comboio de tempestades, Luís Mira, secretário-geral da Confederação de Agricultores de Portugal, acusa o Governo de se ter esquecido dos agricultores. 
 
Joana Amarante
Joana Amarante Jornalista
06 jun. 2026, 11:26

No arranque da Feira Nacional de Agricultura, evento que o Conta Lá transmite em emissão especial este fim de semana, o secretário-geral da CAP acusa o Governo de não apresentar soluções para os problemas que os agricultores enfrentam. 

“O Governo não proporcionou resposta em duas situações, nas catástrofes naturais e numa segunda que tem a ver com o aumento dos custos dos fertilizantes e dos combustíveis”, afirma Luís Mira. 

O responsável refere que estes entraves provocam “um gasto médio por semana de mais de dois milhões de euros aos agricultores portugueses e o Estado recebe mais em impostos portanto não é compreensível que os espanhóis tenham condições de produção, no combustível por exemplo cerca de metade do preço que nós temos”, garantindo que não é possível concorrer com outros parceiros internacionais. 

“O governo esqueceu-se dos agricultores e quando isso acontece as coisas não correm bem”, sublinha Luís Mira.

Na edição de 2026 da FNA, Feira Nacional da Agricultura, o secretário-geral da CAP admite que “as queixas agora são mais”.

O responsável sublinha, por exemplo, a falta de apoios monetários no setor: “de uma forma escandalosa no PRR o dinheiro foi todo canalizado na grande maioria para o Estado. O Governo de então entendeu o PRR como um orçamento suplementar. Nos grandes projetos para a agricultura houve zero”, acrescentando que “Portugal em área agrícola recebe menos que a média dos países e assim não é possível competir, com o IVA mais caro, com menos apoios não é possível”. 

Afirma ainda que no que toca a rendimentos e exportações "no fim do ano vai haver diminuição destes valores, já no primeiro trimestre isso se verificou, porque houve destruição de estruturas produtivas e elas não foram repostas”.

Luís Mira assegura que vai transmitir as preocupações ao Governo, que se faz representar na Feira do Ribatejo pelo Ministro da Agricultura e pela Ministra do Ambiente que inauguram o evento.