Serpa encerra cineteatro municipal “por tempo indeterminado”
Em comunicado, a Câmara de Serpa revelou que o encerramento do edifício se deveu a “diversas questões relacionadas com a segurança e com a falta de condições adequadas de funcionamento do equipamento”.
Contactado pela agência Lusa, o presidente do município, Francisco Picareta (PS), explicou hoje que a decisão de encerrar o cineteatro foi tomada depois de o executivo ter recebido, por parte dos serviços municipais, um relatório sobre as condições atuais do edifício, solicitado após visitas realizadas na sequência do mau tempo verificado em fevereiro.
“Recebemos, na semana passada, a informação dos serviços de que o edifício não dispunha de licenciamento pela IGAC [Inspeção-Geral das Atividades Culturais] desde 2015, devido ao incumprimento de normas de segurança”, indicou o autarca.
Em causa, alertou, está uma “degradação física progressiva” do equipamento cultural, com “infiltrações graves, colapso de tetos, possíveis danos estruturais em algumas zonas, coberturas que não têm o isolamento como deve ser, sistemas de segurança contra incêndios completamente obsoletos e dejetos de aves e materiais perigosos nas coberturas”.
Segundo Francisco Picareta, em 2020, também a Inspeção de Higiene e Segurança no Trabalho reportou “inconformidades, nomeadamente irregularidades em equipamentos de segurança e sinalização, reforçando a urgência de intervenção”.
“Portanto, e por muito que nos custasse, não nos restou outra posição que não a de encerrar o cineteatro, retirar as associações culturais e desportivas que lá estavam a funcionar para outras instalações e fecharmos completamente o edifício”, justificou.
Questionado pela Lusa sobre como foi possível o cineteatro municipal funcionar uma década sem licenciamento por parte da IGAC, o autarca, que em outubro de 2025 se tornou no primeiro socialista a presidir ao município depois de 49 anos de maiorias lideradas pelo PCP, disse apenas: “Não consigo encontrar uma justificação para isso”.
“O que posso justificar são os nossos atos e, tendo conhecimento desta situação, obviamente que só podíamos tomar a posição de fechar o cineteatro”, reforçou.
O presidente da câmara municipal referiu ainda que a autarquia vai agora avançar com um projeto de “reabilitação integral” do edifício, que estimou poder vir a ser “significativo” em termos financeiros.
“Não quero arriscar números, mas tenho a convicção de que serão expressivos e que não será uma situação que se consiga resolver rapidamente”, acrescentou.