Produtores de leite pedem fiscalização de práticas comerciais “agressivas” nos supermercados

A Aprolep – Associação dos Produtores de Leite de Portugal alertou para a desvalorização do leite nacional, incluindo o dos Açores, e pediu ao Governo maior fiscalização sobre práticas comerciais nos supermercados que estão a pressionar em baixa o preço pago ao produtor.

Agência Lusa
Agência Lusa
21 abr. 2026, 14:52

A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) apelou hoje ao Governo que fiscalize práticas comerciais “agressivas” nos supermercados que estão a desvalorizar o leite nacional, particularmente dos Açores, contribuindo para reduzir o preço pago ao produtor.

“O leite não pode voltar a ser utilizado como um isco para atrair consumidores, manipulando o mercado, desvalorizando um setor essencial e colocando em risco a sobrevivência dos produtores de todas as regiões de Portugal, tanto no continente como nas ilhas açorianas. Não podemos entrar numa espiral de desvalorização que será uma espiral de pobreza para a agricultura e produção de leite”, sustenta a associação em comunicado.

Neste sentido, a Aprolep apela às indústrias e às cadeias de distribuição “para que adotem uma postura responsável e sustentável” e aos Governo da República e ao Governo Regional dos Açores “para que reforcem a fiscalização destas práticas, que iludem os consumidores e colocam em causa o futuro da produção de leite em Portugal”.

Segundo salienta, os produtores de leite portugueses enfrentaram, nos últimos meses, um aumento significativo dos custos de produção, nomeadamente no gasóleo, fertilizantes e rações.

Em sentido contrário, registaram-se descidas no preço do leite pago ao produtor, “comprimindo de forma insustentável as margens”.

“Em janeiro, o preço baixou para os produtores no continente. Mais recentemente, verificou-se também a descida no preço pago aos produtores dos Açores, que já operavam com valores extremamente reduzidos, abaixo do continente”, concretiza.

Ao mesmo tempo, a Aprolep diz ter-se vindo a assistir ao “regresso de ‘promoções agressivas’, em que leite de algumas marcas açorianas a preço muito baixo é utilizado como ‘isco’ para atrair consumidores e ganhar vantagem em guerras comerciais”.

A associação destaca como “particularmente alarmante” que o leite de indústrias açorianas, mesmo com custos acrescidos de transporte, “esteja a ser vendido em todo o país a preços muito inferiores ao preço das marcas das cadeias de distribuição”.

“Estamos a assistir ao regresso de uma realidade que marcou negativamente as últimas duas décadas: a desvalorização do leite nas prateleiras dos supermercados, que contribuiu para colocar o preço pago ao produtor português entre os mais baixos da União Europeia. Já vimos este filme, não correu bem e não queremos repetir”, sustenta.

A este propósito, a Aprolep recorda uma manifestação que organizou na Trofa, em 2021, em que centenas de produtores denunciaram estas práticas como estando “a matar a produção nacional de leite”.

“Nos meses seguintes – lembra - foram colocados fardos de palha à porta de algumas cadeias de distribuição que persistiram nas guerras de preços à custa dos agricultores. Teremos de voltar a essas ações de luta para que a nossa voz seja ouvida?”, questiona.