Com milhões de árvores ainda caídas, Ourém luta contra o tempo. Autarca “muito preocupado com os incêndios”

Quatro meses depois, Ourém ainda recupera das tempestades. Com a chegada do verão e o medo dos incêndios, a prioridade da autarquia é intervir na floresta. Ao Conta Lá, na Feira Nacional de Agricultura, o presidente da câmara fez o ponto de situação.

Redação
Redação
10 jun. 2026, 18:30

Há quatro meses, a floresta em Ourém “foi totalmente dizimada”, começa por descrever Luis Miguel Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de ourem, aos microfones do Conta Lá, na emissão especial na Feira Nacional de Agricultura.

Neste tempo, admite, “foi completamente impossível limpar tudo”, mantendo-se “milhões de árvores caídas” pelo concelho. E com a chegada do verão, o responsável confessa-se “muito preocupado” com os incêndios. Sendo impossível recuperar o território a tempo dos períodos mais críticos, “o principal objetivo é desobstruir os caminhos florestais”, conta o autarca. “Nós temos neste momento cerca de dez equipas no terreno a fazer essa desobstrução, pensamos que até ao final deste mês esse trabalho estará concluído”, afirma.

Este é, para Luís Miguel Albuquerque, um ponto positivo, “porque poderá permitir que os bombeiros e a Proteção Civil possam entrar na floresta se for necessário”. Uma operação importante também para resolver o maior problema dos agricultores do concelho - sobretudo produtores de vinho e azeite, que compõem 90% do setor agrícola de Ourém -, que não conseguem aceder às propriedades. 

Além da desobstrução, a autarquia está a trabalhar para poder aceder a terrenos privados para realizar operações de limpeza. “Foi constituída uma AIGP (Área Integradas de Gestão da Paisagem) no nosso concelho que permite também podermos entrar com maior facilidade nos terrenos dos privados que não façam essa limpeza”.

Os danos nas estruturas

Durante o verão, o concelho corre contra o tempo para recuperar algumas estruturas prioritárias. Os rios estão obstruídos por árvores caídas “e não podemos deixar que isso aconteça até chegar o inverno porque corremos o risco de termos inundações”, confessa o autarca. Também há “escolas que continuam com espaços exteriores danificados, e temos de o fazer agora, ainda este verão”, descreve.

Num concelho que recebeu 3.851 pedidos de ajuda de privados por danos nas residências, o autarca congratula-se com o facto de já ter ressarcido 2.600 pessoas. “tivemos cerca de 700 indeferidas e, portanto, neste momento temos apenas entre 400 e 500 em análise, o que não deixa de ser um bom sinal de que iremos cumprir os prazos que a estamos obrigados, até ao dia 30 de junho” garante Luís Miguel Albuquerque.