Feira investiu 10,48 milhões de euros em 25 anos nos espaços ligados ao festival Imaginarius

Santa Maria da Feira investiu mais de 10,48 milhões de euros nos últimos 25 anos na requalificação de espaços públicos ligados ao Imaginarius. As intervenções incluíram praças, arruamentos, parques e equipamentos culturais pensados para acolher espetáculos e reforçar a capacidade do evento no espaço urbano.
Agência Lusa
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23 mai. 2026, 12:06

Santa Maria da Feira investiu mais de 10,48 milhões de euros nos últimos 25 anos para regenerar espaços públicos afetos ao festival Imaginarius, que, decorrendo até à madrugada deste domingo, soma nesta edição 125 apresentações de 39 projetos.

Em causa estão diversas empreitadas que esta autarquia do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto concretizou desde que em 2001 lançou o evento de periodicidade anual, e que só esteve suspenso em 2020 devido à pandemia de covid-21, tendo cumprido até agora 25 edições.

Após todo um percurso em que a sua designação oficial aludia a “artes de rua”, este ano o Imaginarius foi rebatizado como “Festival de Artes Performativas no Espaço Público” e conta com um orçamento de 800.000 euros.

O balanço envolve apenas “valores aproximados” dado o intervalo temporal em causa, mas distingue entre obras pensadas exclusivamente para o Imaginarius e outras que, embora privilegiando os interesses do festival, também beneficiaram outros eventos e públicos.

No primeiro caso, inclui-se a obra mais cara de toda a lista: a Praça do Arquivo Municipal, cuja criação terá custado cerca de 3,2 milhões de euros, no âmbito de uma intervenção de quatro milhões. Situa-se junto ao edifício da década de 1960 que foi requalificado pela Câmara para acolher novos serviços municipais e constitui, desde 2023, um dos palcos mais intimistas do Imaginarius.

Mais barata, mas também exclusivamente pensada para o certame, foi a recuperação do antigo matadouro municipal, que, com recurso a 350.000 euros, se transformou em 2017 no Imaginarius Centro de Criação (ICC). Acolhe desde então serviços técnicos do departamento de cultura, uma ‘black box’ para ensaios e espetáculos, espaços para formação e alojamento para residências artísticas.

“Esta antiga unidade industrial foi alvo de uma reconversão profunda para se tornar o ‘pulmão’ criativo da cidade”, declara o presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria, à agência Lusa. “Durante o Imaginarius, funciona como o centro nevrálgico de residências artísticas, permitindo que companhias internacionais desenvolvam projetos de grande escala em diálogo direto com a comunidade e o espaço físico local”, realça.

Quanto às restantes obras da lista, favoreceram não apenas o festival de artes performativas, mas também outros eventos locais – como a recriação “Viagem Medieval” e o parque temático natalício “Perlim” – e a comunidade geral, nas suas atividades de lazer individuais.

Dessas intervenções, a mais onerosa ainda não está completa e já absorveu 2,3 milhões de euros: é a criação do Parque Condes de Fijô, entre o centro histórico da cidade e a Escola EB Fernando Pessoa, sempre na base da mata das Guimbras e ao longo do rio Cáster. A referida verba foi aplicada na aquisição de terrenos e na instalação de infraestruturas básicas, mas deverá ser complementada com mais seis milhões no futuro, para “uma transformação profunda do vale e da encosta do castelo”.

Amadeu Albergaria nota que o projeto prevê a valorização dos recursos hídricos do Cáster, através da criação de novos açudes e espelhos de água, e contempla também “uma vasta rede de percursos e anfiteatros naturais”, o que permitirá ao Imaginarius e a outros eventos “expandir o seu perímetro de ação”.

Seguem-se cerca de dois milhões de euros no arranjo de arruamentos e passeios como os da Rua Roberto Alves, da Rua dos Descobrimentos e do Largo do Rossio, onde, devido à quantidade de espetáculos aí realizados, se tornou necessário garantir mobilidade universal a todos os púbicos e eliminar barreiras arquitetónicas que impediam a circulação de estruturas complexas utilizadas pelas companhias de teatro.

Já na Quinta do Castelo, parque de 12 hectares que exibe grande biodiversidade botânica e serve de cenário ao Imaginarius e muitos outros eventos, a empreitada foi de 1,85 milhões de euros. Concluída em 2019, incluiu a recuperação de lagos e grutas artificiais, e a consolidação de muros de suporte, travando a degradação do recinto, integrado na Rota dos Jardins Históricos do Grande Porto e Norte.

Outra obra executada a pensar nas performances de vários eventos foi a da Praça da República, onde a Câmara investiu cerca de 400.000 euros em 2017.

“A intervenção focou-se em vencer a topografia acentuada do local e transformou a zona num anfiteatro natural, dignificando a fachada histórica dos Paços do Concelho”, diz Amadeu Albergaria. “A praça revela-se agora um espaço técnico de excelência porque a sua estrutura em patamares resolve questões críticas de visibilidade para grandes aglomerados de pessoas”, defende.

Situação idêntica se verificou na Praça Gaspar Moreira, que será, entre todas as da Feira, aquela com que o público geral está mais familiarizado. Em vésperas do lançamento do festival, foi intervencionada com cerca de 235.000 euros e viu requalificado um anfiteatro em degraus que se tornou o melhor palco ao ar livre da cidade, complementado então com espelhos de água e, em 2013, com uma escultura em cortiça assinada por Vhils.

Outra intervenção feita a pensar no Imaginarius e noutros eventos foi o reforço da iluminação pública, que, nos últimos anos, exigiu da autarquia mais de 150.000 euros. Isso envolveu a substituição de luminárias convencionais por tecnologia LED e, segundo o presidente da Câmara, melhorou vários aspetos cénicos dos espetáculos: “Cenografia, figurinos e detalhes visuais são agora apreciados com total clareza. O LED minimiza o encandeamento e cria uma atmosfera urbana mais acolhedora e segura, beneficiando tanto os artistas em palco como os visitantes”.