Motoristas TVDE saem à rua: “estamos a ser sufocados pelos custos e levam até 65% do nosso trabalho"
Cerca de 200 motoristas TVDE, percorreram hoje a pé o trajeto entre o Campo Pequeno e a Assembleia da República, em Lisboa, reivindicando o aumento das tarifas, a não inclusão do táxi no setor e um apoio aos combustíveis.
O grupo, que partiu do Campo Pequeno, cerca das 10:45, deslocando-se primeiro à sede da Uber, na Avenida Barbosa du Bocage, passando depois pela sede da Bolt, na Avenida da Liberdade, chegando à Assembleia da República, pelas 13:00.
Vestidos com t-shirts pretas e alguns com balões negros nas mãos, motoristas e operadores, pela primeira vez, em marcha a pé, foram gritando palavras de ordem.
À chegada à sede da Uber, um dos manifestantes dizia, de megafone em punho: “ao vosso lado esquerdo está a Uber, que nos gosta de levar 40, 50, 65 por cento de comissão”. E, logo de seguida, gritava “é, é, é, respeitem os TVDE”.
Os ânimos chegaram a exaltar-se quando os representantes dos manifestantes que foram entregar o caderno reivindicativo na sede da Uber, saíram do edifício dizendo não terem sido recebidos por Francisco Vilaça, diretor-geral da empresa em Portugal.
Depois disso, voltaram à marcha e chegaram a interromper o trânsito na Avenida Fontes Pereira de Melo, no Saldanha, em direção Marquês de Pombal, seguindo com o protesto na estrada enquanto se manifestavam contra os motoristas que não se juntaram ao movimento continuando a trabalhar.
O trânsito ficou congestionado na altura, mas a polícia, que acompanhou sempre os manifestantes, ia dando indicações, ao mesmo tempo que pedia calma, nomeadamente quando eram dirigidos insultos contra quem trabalhava.
Já na Avenida da Liberdade, junto à sede da Bolt, os motoristas pediram para baixarem as taxas e perguntaram se o “Mário Morais [diretor-geral da Bolt em Portugal] estava disposto para conversar”.
“Hoje é o dia que podes mostrar que a Bolt nos respeita”, indicou um dos organizadores da manifestação ao representante na sede da Bolt.
Mário de Morais recebeu à porta da empresa os manifestantes e dirigiu-lhes algumas palavras, aceitando também o caderno reivindicativo, adiantando que irá dar-lhe atenção.
Aos jornalistas, o responsável disse que o protesto era “normal num setor que procura mitigar algumas questões, adiantando que tem “falado frequentemente” com as pessoas que organizaram o protesto e que a Bolt já fez “subidas de preços no início do mês”, assim como os vouchers para o combustível.
Mário de Morais admitiu também que, no futuro, poderá aumentar as margens para os operadores, embora tenha referido que o faz “normalmente e sempre que se justifique”, considerando não ser por causa de uma manifestação.
O protesto teve como principais reivindicações o “aumento urgente das tarifas”, a “rejeição da entrada do setor do táxi” no regime TVDE e o “apoio ao aumento do preço dos combustíveis”.
Já frente à Assembleia da República, onde os manifestantes fizeram um minuto de silêncio pela situação no setor, após o que ‘explodiram’ em gritos, apitos, palmas e buzinas para se “fazerem ouvir” dentro do parlamento, como pedido por um dos organizadores.
Uma comitiva do Chega desceu a escadaria - Pedro Frazão, Carlos Barbosa e Francisco Gomes –, sendo recebidos com aplausos pelos manifestantes.
Tanto Pedro Frazão como Francisco Gomes explicaram aos manifestantes que o “dever e o foco do Chega” é neste momento “trabalhar na comissão para garantir que as reivindicações destes homens [motoristas e operadores], que a dignificação e a valorização desta carreira aconteçam”.
No final, uma comitiva da organização do protesto foi entregar o caderno reivindicativo à Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.
A Uber já assegurou que a operação está hoje a funcionar dentro da normalidade apesar do protesto, revelando, que tem mantido um diálogo regular e construtivo com motoristas e parceiros de frota.
Numa resposta enviada à Lusa a propósito do protesto e os seus motivos, a Uber Portugal disse respeitar “o direito à manifestação de todos os que utilizam a (…) plataforma, desde que exercido com respeito pela segurança e pela ordem pública”, referindo que “a operação está a funcionar dentro da normalidade, como é habitual nestas situações”.
Ivo Fernandes, da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD), explicou à Lusa que o protesto surge numa altura em que operadores e motoristas das várias organizações “se alinharam num conjunto de reivindicações, embora ainda haja algumas divergências”.
Segundo os dados oficiais na plataforma criada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, em colaboração com a Uber e a Bolt, para monitorizar a atividade dos TVDE, no mês de março estavam registados 39.615 motoristas certificados ativos e o número de operadores ativos totalizava os 14.649.