Setor da arquitetura destaca “participação histórica” na paralisação e decreta nova greve

Com impacto direto em 39 empresas e mais de uma dezena de escritórios encerrados no Porto, Lisboa, Coimbra, Braga e Beja, o SINTARQ – Sindicato dos Trabalhadores em Arquitetura, admite uma “participação histórica” do setor nesta greve geral.
Ana Rita Cristovão
Ana Rita Cristovão Jornalista
03 jun. 2026, 15:56

“Pela segunda vez, trabalhadores em arquitetura em Portugal aderiram massivamente a um protesto nacional, sinalizando a profunda insatisfação e a rejeição à precarização laboral”, refere o SINTARQ, Sindicato dos Trabalhadores em Arquitetura, num comunicado enviado ao Conta Lá.

O sindicato, que também aderiu à primeira greve geral contra o pacote laboral em dezembro passado, sublinha uma “participação histórica” nesta paralisação, com “mais de 100 grevistas confirmados, impactando diretamente 39 empresas”.

Um impacto que resultou no encerramento “de 10 empresas no Porto, Lisboa, Coimbra, Braga e Beja, entre elas a Casa da Arquitectura, em Matosinhos, com muitos outros encerramentos parciais em todo o país”, refere a nota.

Para o Sindicato dos Trabalhadores em Arquitetura, a adesão “mostra novamente que o setor rejeita a facilitação dos despedimentos e a normalização da precariedade”.

“Num setor que já vive de falsos recibos verdes, falsos estágios e falsos bancos de horas, é imperativo que estes meios de precarização não passem a ter o aval da legislação”, clama, dando conta das “mais de 870 assinaturas de trabalhadores recolhidas, subescrevendo um abaixo assinado contra o Pacote Laboral, que foi entregue pela CGTP-IN no início deste ano”.

Perante o cenário atual, o sindicato decretou ainda, a partir desta quarta-feira, uma nova greve às horas extra não pagas.

“O SINTARQ aponta que, atualmente, 80% dos trabalhadores em arquitetura fazem horas extra, mas apenas 4% recebem o valor determinado por lei. Com esta greve, nenhum trabalhador em Arquitetura — arquiteto, desenhador, maquetista ou curador — pode ser obrigado a trabalhar de graça fora do seu horário”, refere.

Em cima da mesa estão exigências como a reposição da majoração pré-Troika das horas extra -  50% pela primeira hora, 75% por cada hora seguinte em dia útil e 100% por cada hora em descanso ou feriado, bem como a redução do limite anual de horas extra para 100 horas para todos os trabalhadores.