“Mãos que contam histórias”: Vouzela cria mapa dos artesãos tradicionais
Algumas mãos guardam segredos que o tempo não conseguiu apagar, histórias silenciosas transmitidas de geração em geração, contadas apenas através do gesto. Em Vouzela, distrito de Viseu, essas mãos estão espalhadas pelo concelho, nos saberes artesanais que já poucos sabem de cor como: o tear, o molde do barro, o amassar do pão biológico e o cultivo nos campos à moda antiga.
A autarquia decidiu, agora, criar uma mapa dos saberes da região, preservando a memória de quem tem nas mãos práticas muitas vezes invisíveis, dando visibilidade a quem transforma técnica em património. A iniciativa surge no âmbito do Contrato Local de Desenvolvimento Social (5G Vouzela Gerações 5.0), um programa que visa promover a inclusão social, reforçar a coesão comunitária e apoiar a população ativa através de projetos locais.
Sob a campanha “Artesãos de Vouzela: mãos que guardam memórias”, a iniciativa não se limita apenas a um levantamento formal dos conhecimentos. Mais do que registar o nome dos artesãos e os ofícios que desempenham, pretende criar um encontro entre mestres e aprendizes, transformando tradições.
A vereadora da Cultura, Inês Paiva, sublinha a dimensão humana da campanha, realçando que o pretendido é “conhecer e dar visibilidade às pessoas que mantêm vivos os saberes tradicionais, desde o artesanato à alimentação, passando pela construção e agricultura.” Segundo a responsável pelo pelouro, esta é uma iniciativa para perdurar, o que facilita a integração de novos protagonistas, garantindo que nenhum saber da aldeia desapareça sem deixar rasto.
O mapeamento abrangerá diversas áreas, como o artesanato tradicional, os ofícios ligados à construção, a alimentação típica, a cultura e a agricultura, valorizando a ligação de cada prática aos saberes tradicionais do concelho. Mais do que um inventário, a ação pretende dinamizar oficinas e workshops, aproximando a população dos artesãos locais.“Estas oficinas pretendem aproximar pessoas em idade ativa dos artesãos locais, promovendo o contacto direto, a partilha de saberes, a transmissão de técnicas e a aprendizagem informal de práticas artesanais tradicionais. O processo visa incentivar o surgimento de novos artesãos, estimular novas ocupações profissionais e contribuir de forma decisiva para a preservação e salvaguarda das artes e ofícios identitários do território”, explica Inês Paiva.
A iniciativa visa ainda complementar os levantamentos realizados anteriormente, garantindo que nenhum artesão, mesmo os menos conhecidos, fique fora do mapa. Além disso, os artesãos identificados terão oportunidades de formação e promoção, tendo a possibilidade de obter a Carta de Artesão, participar em feiras e mercados e divulgar os seus produtos em plataformas digitais.
Os interessados podem inscrever-se através do contacto telefónico 232 740 740 ou através do e-mail do projeto clds@cm-vouzela.pt, usando a ficha de inscrição disponibilizada na página oficial, podendo ainda ser solicitada através do mail. No entanto, a participação não se limita aos artesãos: a comunidade é chamada a colaborar na identificação de mestres e aprendizes, para que a história não desapareça.