Turismo de Portugal lança nova tentativa para reabrir hotel histórico na Guarda

O Turismo de Portugal lançou um novo concurso para arrendamento do Hotel Turismo da Guarda, com renda mínima mensal de cerca de 3.858 euros. O projeto prevê a reabilitação do imóvel e a sua exploração como hotel de quatro estrelas.
Agência Lusa
Agência Lusa
01 abr. 2026, 16:21

O Turismo de Portugal lançou esta quarta-feira o concurso público para o arrendamento, com opção de compra, do Hotel Turismo da Guarda, cujo vencedor terá de pagar uma renda mensal mínima de 3.858,34 euros.

De acordo com o anúncio do procedimento, a que a agência Lusa teve acesso, o concurso destina-se a fins não habitacionais do imóvel, “com vista à realização de obras e posterior exploração para fins turísticos como estabelecimento hoteleiro com a classificação mínima de 4 estrelas, nos termos da legislação em vigor”.

A duração do arrendamento é de 50 anos, mas, se o arrendatário acionar a opção de compra, o que poderá fazer a partir do quarto ano, terá de pagar cerca de 6,8 milhões de euros ao Turismo de Portugal, proprietário do imóvel.

“O valor da opção de compra inclui o valor de mercado do imóvel após a conclusão das obras, deduzido do montante estimado de investimento em reabilitação, acrescido do valor atualizado das rendas devidas até ao final da concessão”, especificou o Turismo de Portugal.

As candidaturas devem ser entregues no Turismo de Portugal, até às 17 horas do 40.º dia a contar da data da publicitação.

A área bruta de construção é de 11.363 metros quadrados.

O caderno de encargos, também publicado esta quarta-feira, obriga o futuro arrendatário a respeitar a traça original do edifício, projetado pelo arquiteto Vasco Regaleira, sob a orientação do ministro Duarte Pacheco, em 1936.

“As obras de instalação de um novo projeto no Hotel Turismo da Guarda devem obedecer a rigorosos critérios de respeito pelas pré-existências construídas”, é referido.

O vencedor do concurso público está ainda impedido de alterar “a coerência formal e construtiva do imóvel” para viabilizar a instalação do seu projeto.

“É expressamente proibida a alteração volumétrica ou a modificação das fachadas, bem como a abertura ou alargamento de vãos nas paredes a preservar”.

O Turismo de Portugal considera também “premente recuperar alguns valores arquitetónicos perdidos, clarificando nomeadamente a sua volumetria, anulando ou minimizando o impacto das intervenções posteriores pouco qualificadas”.

“O Hotel Turismo da Guarda possui uma localização privilegiada em pleno centro da cidade com acesso às principais vias de comunicação regionais, A25 e A23, permitindo um acesso facilitado à fronteira de Vilar Formoso (30 minutos) e, dessa forma, à cidade de Salamanca (01:50m)”, descreve o Turismo de Portugal.

Situa-se também a cerca de 60 quilómetros da cidade de Viseu e 100 quilómetros da cidade de Castelo Branco, e a duas horas de distância do aeroporto internacional Francisco Sá Carneiro, no Porto.

O Hotel Turismo da Guarda foi inaugurado em 1947 e fechou portas em outubro de 2010.

Em abril de 2011, a Câmara da Guarda vendeu o imóvel ao Turismo de Portugal, para realizar um investimento estimado em 10 milhões de euros e reabrir como Escola de Hotelaria e Hotel de Aplicação.

Em 2012, o Governo PSD/CDS desistiu do projeto e os Governos seguintes, do PS, optaram por integrar o imóvel no programa REVIVE – Reabilitação, Património e Turismo.

Entre 2017 e 2021 foram feitas três tentativas de concessão, mas sem sucesso. Em 2022, o imóvel foi desafetado do programa, tendo sido integrado na rede de Pousadas de Portugal em 2023.

Em dezembro de 2025 foi revogado, por mútuo acordo, o contrato de arrendamento que o Turismo de Portugal tinha celebrado com a ENATUR, voltando o processo à estaca zero.

Esta será sexta tentativa para reabrir aquela unidade hoteleira da Guarda.

O vencedor do concurso público agora lançado deverá ser conhecido em maio.